Dólar fecha a R$ 5 com cautela por guerra e no aguardo do Copom
O comunicado mais conservador do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e, sobretudo, os sinais de que o conflito entre Estados Unidos e Irã está longe de terminar adicionaram um viés mais cauteloso para os operadores do mercado financeiro, com o dólar ganhando força globalmente. Por fim, o segmento à vista da moeda norte-americana fechou em alta de 0,39%, a R$ 5,0018 nesta quarta-feira, que contará ainda com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em breve.
O dólar à vista oscilou de R$ 4,9795 (mínima pela manhã) a R$ 5,0138 (máxima à tarde) e o contrato futuro para maio marcava alta de 0,56%, a R$ 5,0045, por volta das 17h, enquanto o índice DXY – que mede a divisa norte-americana contra uma cesta de pares fortes – avançava 0,21%.
“Estamos em um dia de apreensão, com grande fator sendo a guerra contra o Irã. Um ‘vai-não vai’ sobre a expectativa de um acordo”, disse o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares.
Segundo a Axios, Trump indicou que o bloqueio no estreito de Ormuz seguirá até que haja um acordo nuclear com o país persa e o Comando Central dos EUA preparou um plano para uma onda de ataques “curta e poderosa” na esperança de quebrar o impasse nas negociações. Como resultado, o petróleo saltou mais de 5%, com o WTI para junho a US$ 106,88 e o Brent para julho a US$ 110,44 por barril.
Também nesta tarde, o Fed manteve a taxa dos Fed funds na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, como esperado, mas com um tom mais conservador. O comunicado mencionou que a guerra no Irã está adicionando altos níveis de incerteza e que a inflação está elevada, enquanto o presidente Jerome Powell cravou que “os preços de energia ainda têm de atingir seu pico”. Tavares reitera que o Fed não trouxe perspectiva sobre um corte de juros neste ano, ao atrelar a incerteza externa à dificuldade de se traçar um cenário seguro para a política monetária. Mesmo Powell disse, durante a coletiva, que vê a taxa de Fed funds “em boa posição”. Assim, o mercado manteve para dezembro de 2027 a aposta de retomada da flexibilização monetária pelo banco central americano.
Parte da cautela no câmbio decorre, inclusive, de como viria a comunicação do Fed e também, em breve, a do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo o operador de câmbio José Carreira, da Fair Corretora. Por mais que, em tese, o BC vá reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual – conforme a maioria do mercado projeta, segundo o Projeções Broadcast -, esse corte não fará tanta diferença assim em termos de carry trade.

