Dólar recua com exterior e acumula queda de 0,52% na semana
O dólar apresentou queda firme no mercado doméstico nesta sexta-feira, 6, dia marcado por desvalorização global da moeda americana, recuperação dos preços de commodities e apetite por ativos de risco. Operadores ressaltam que o real se comportou bem mesmo em momentos de avanço do dólar no exterior ao longo da semana, em meio a sinais ambíguos da economia dos EUA e às reações à indicação do ex-diretor do Federal Reserve Kevin Warsh para a presidência do Banco Central americano.
A avaliação predominante é a de que o real ainda pode se beneficiar nas próximas semanas do movimento de diversificação com global que toma conta dos mercados, com investidores reduzindo exposição a ativos denominados em dólar. Mesmo com um início de ciclo de cortes da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) a partir de março, os juros locais vão permanecer em níveis elevados, desencorajando carregamento de posições em dólar.
Com mínima de R$ 5,2058, o dólar à vista encerrou o dia cotado a R$ 5,2204, em queda de 0,63%. A moeda termina a primeira semana de fevereiro com baixa de 0,52%, após recuo de 4,40% em janeiro – a maior desvalorização mensal desde junho de 2025, quando caiu 4,99%.
Para o gerente de tesouraria do Daycoval, Otávio Oliveira, parece haver uma “equalização” do fluxo de estrangeiro que levou o Ibovespa a bater sucessivos recordes e contribuiu para a apreciação do real ao longo de janeiro. “Não temos perspectivas de entradas como às que estávamos vendo. Parece que o dólar encontrou um suporte um pouco mais forte na casa dos R$ 5,20”, afirma Oliveira.
Lá fora, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes – operou em leve baixa hoje e rondava os 97,640 pontos no fim da tarde, mas fecha a semana com ganhos de cerca de 0,50%. A migração de posições em dólar para metais e ativos emergentes sofreu solavancos desde a indicação de Warsh por Trump.
“A indicação de Warsh para o comando do Fed a partir de maio trouxe bastante volatilidade ao mercado, devido ao histórico mais duro de Warsh no combate à inflação, o que foi lido como um empecilho para a continuidade dos cortes nos juros americanos”, afirma o economista sênior do banco Inter, André Valério. “Com isso, vimos uma valorização do dólar a nível global no início da semana, o que, concomitantemente com o episódio de risk-off que atingiu principalmente as commodities metálicas, trouxe bastante volatilidade para as moedas emergentes como o real”.
Economistas da Armor Capital observam que, além de assimilar a indicação de Warsh ao Fed, investidores digeriram ao longo da semana indicadores americanos que mostraram uma “dicotomia entre a atividade ainda resiliente e um mercado de trabalho em processo de arrefecimento”.
Do lado da atividade industrial elaborado pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) subiu de 47,9 em dezembro para 52,6 em janeiro, acima do esperado por analistas. Já os relatórios de emprego ADP e Jolts trouxeram números fracos.
“Essa descorrelação entre os indicadores de atividade e de emprego gerou elevada volatilidade nos preços dos ativos, com as commodities metálicas devolvendo parte das altas acumuladas ao longo de janeiro”, afirmam os economistas da Armor.
Valério, do Inter, ressalta que os sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho reforçaram a expectativa pela divulgação, no próximo dia 11, do relatório de emprego (payroll) de janeiro. “Com a continuidade da piora do mercado de trabalho, aliado a uma inflação contida, podemos ver uma moderação no tom do FOMC (comitê de política monetária do Fed, na sigla em inglês), abrindo espaço para a retomada do corte de juros em março”, afirma o economista sênior.

