Dólar tem leve alta em dia negativo para divisas emergentes pares do real

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O dólar apresentou leve alta nesta terça-feira, 10, mas fechou abaixo do nível de R$ 5,20 pelo segundo pregão consecutivo. Mais uma vez, os negócios no mercado de câmbio local foram ditados pelo ambiente externo, marcado por valorização da moeda americana na comparação com a maioria das divisas emergentes.

Analistas afirmam que o clima de cautela diante da expectativa por dados de inflação e emprego nos EUA nos próximos dias abriu espaço para ajustes finos por parte de investidores. Houve uma pausa no processo global de diversificação de carteiras e de redução de ativos denominados em dólar – movimento que teria sido turbinado ontem pela informação de que a China teria recomendado a bancos do país que reduzam exposição às Treasuries.

Depois de fechar ontem no menor nível desde 28 de maio de 2024, o dólar à vista encerrou o pregão de hoje em alta de 0,17%, a R$ 5,1969, com mínima de R$ 5,1845 e máxima de R$ 5,2128. A divisa acumula baixa de 0,97% em relação ao real nos sete primeiros pregões de fevereiro, após recuo de 4,40% em janeiro – a maior desvalorização mensal desde junho de 2025, quando caiu 4,99%. No ano, o dólar recua 5,32%.

“O dólar subiu hoje em relação a algumas divisas emergentes. Estamos vendo um movimento de correção no real após a taxa de câmbio ter tocado R$ 5,17 ontem no intraday e fechado no menor nível em quase dois anos”, afirma o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, que ainda vê continuidade do movimento de apreciação do real com diferencial de juros elevado mesmo com os esperados cortes da taxa Selic.

Pela manhã, o IBGE informou que o IPCA avançou 0,33% em dezembro, praticamente em linha com a mediana das estimativas de Projeções Broadcast (0,32%). A inflação acumulada em 12 meses passou de 4,26% até dezembro para 4,4%, também um pouco acima das projeções (4,43%).

A avaliação da maioria de economistas ouvidos pela Broadcast é a de que a leitura do IPCA em janeiro veio qualitativamente pior, mas não alterou as apostas majoritárias de início de um ciclo de cortes de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em março com redução da taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, para 14,50% ao ano.

“O IPCA pesou um pouco no humor do mercado no começo do dia, mas a inflação em 12 meses deve voltar a ficar abaixo de 4% e convergir para 3,3% no meio do ano”, afirma Galhardo, da Análise Econômica. “O processo de desinflação deve seguir, o que vai garantir uma taxa de juros real eleva por bastante tempo e atrair capital para o Brasil.”

O índice DXY – que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes – oscilou entre ligeiras altas e baixas ao longo do dia e operava ao redor da estabilidade no fim da tarde, na casa dos 96,800 pontos. Euro e libra tiveram pequenas perdas em relação à moeda americana. Já o iene apresentou ganhos de quase 1%, ainda sob o impacto da vitória do partido da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, nas eleições legislativas japonesas.

Pela manhã, o Departamento de Comércio dos EUA informou que as vendas no varejo no país ficaram estáveis na passagem de novembro para dezembro, enquanto analistas previam alta de 0,4%. Já o índice de custo de Emprego avançou 0,7% no quarto trimestre na margem, ligeiramente abaixo das estimativas, de 0,8%.

Investidores aguardam o payroll de janeiro, amanhã, 11, e o índice de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), na sexta-feira, 13, para calibrar as apostas sobre os próximos passos do Fed, em meio à perspectiva crescente de corte de 25 pontos-base nos juros em março. Duas dirigentes regionais do Fed – Beth Hammack (Cleveland) e Lorie Logan (Dallas) – adotaram tom cauteloso em falas hoje, alertando que é preciso trazer a inflação à meta antes de novos cortes de juros.

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Estadão

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