Economista-chefe do BCE defende alternativas para ampliação de estoque de dívida em euros

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O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, afirmou que a atual configuração da arquitetura financeira da zona do euro resulta em uma oferta insuficiente de ativos seguros denominados em euros. O dirigente defendeu a ampliação do estoque de dívida e outros instrumentos que possam aprofundar a liquidez na região e servir como hedge.

Para o dirigente, o Bund, o título soberano alemão, acaba servindo como o principal ativo seguro de fato denominado em euros. “No entanto, o estoque de Bunds é muito pequeno em relação ao tamanho da zona do euro ou do sistema financeiro global para satisfazer a demanda por ativos seguros denominados em euros”, disse em discurso de abertura de workshop em Frankfurt nesta quarta-feira.

Lane afirmou ainda que, em princípio, títulos comuns lastreados pela capacidade fiscal combinada dos Estados-Membros da UE são capazes de fornecer serviços de ativos seguros. No entanto, o estoque atual desses títulos é simplesmente muito pequeno para fomentar a liquidez necessária e os serviços de gestão de risco (mercados de derivativos, mercados de recompra) que são parte integrante da função de ativo seguro.

Lane citou que para atender de forma mais rápida e decisiva à crescente demanda global por ativos seguros denominados em euros, existem diversas opções para gerar um estoque maior de ativos seguros a partir do estoque atual de títulos nacionais.

O dirigente listou a proposta de Olivier Blanchard e Ángel Ubide, que defenderam recentemente que a reforma dos “títulos azuis/títulos vermelhos” seja reexaminada.

Nessa abordagem, cada país membro reservaria uma fonte de receita específica (uma certa quantia de receitas de impostos indiretos, por exemplo) que poderia ser usada para o pagamento de títulos emitidos em conjunto. A proposta envolve a troca de dívida nacional por títulos comuns, visando criar ativos seguros, reduzir custos de financiamento e evitar transferências fiscais diretas.

No entanto, um estoque excessivo de títulos azuis conjuntos exigiria que as receitas fiscais nacionais fossem reservadas em uma escala que seria excessiva no contexto da atual configuração política europeia, na qual os recursos fiscais e a tomada de decisões políticas permanecem predominantemente em nível nacional.

Mesmo diante dos desafios, Lane ressaltou que um estoque ampliado de ativos seguros em euros proporcionaria as bases para um aumento mais generalizado da demanda global por ativos denominados em euros, fornecendo liquidez essencial e serviços de hedge. Por sua vez, isso reforçaria os ganhos de políticas econômicas pró-crescimento que aumentariam o tamanho e a lucratividade das empresas europeias, elevando, assim, os incentivos para a emissão e a manutenção de títulos corporativos.

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Estadão

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