Eduardo Cunha escolhe MG para tentar voltar à Câmara e chama Estado de ‘termômetro do Brasil’
O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha afirmou que escolheu disputar a eleição de deputado federal por Minas Gerais por considerar o Estado uma “síntese do Brasil”. Segundo Cunha, Minas reúne características econômicas, sociais e culturais de diferentes regiões do País e, por isso, costuma antecipar tendências do cenário nacional.
“Você está perto de Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Há características do Nordeste no Norte do Estado e de São Paulo no Sul. O que acontece em Minas acaba acontecendo no Brasil”, disse em vídeo publicado no Instagram.
Cunha também citou o resultado das eleições presidenciais de 2022 como exemplo. No Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Jair Bolsonaro (PL) por margem apertada – 50,2% a 49,8% -, porcentual próximo ao resultado nacional, 50,9% contra 49,1%.
Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do País, atrás apenas de São Paulo. Para Cunha, o peso político do Estado está subaproveitado.
“Minas tem um papel muito maior do que exerce hoje. É o segundo colégio eleitoral do Brasil e foi muito aviltada. O que aconteceu no governo de Fernando Pimentel foi um desastre”, afirmou, em referência à gestão petista entre 2015 e 2018.
Cunha afirmou que “recuperar Minas é recolocar o Estado no centro do debate nacional” e defendeu que o desempenho eleitoral mineiro segue sendo um “termômetro do País”.
Em meio à articulação para viabilizar sua candidatura em Minas Gerais, Cunha tem ampliado sua presença no Estado por meio de investimentos no setor de radiodifusão, como mostrou o Estadão.
Em Belo Horizonte, Cunha é proprietário da rádio Maravilha FM, emissora voltada ao público evangélico, com programação que inclui noticiário, esportes, pregação religiosa e música gospel. O ex-deputado participa da grade com entradas regulares ao longo do dia.
A Maravilha FM não é o único empreendimento ligado ao grupo familiar em Minas. Levantamento da reportagem identificou outras cinco emissoras registradas em municípios mineiros em nome de Daniel de Sá, marido da filha de Cunha.
Daniel de Sá passou a figurar como sócio dessas rádios entre 2024 e 2025. As emissoras estão sediadas em Além Paraíba, Carangola, Guarani, Raul Soares e Leopoldina.
No Rio de Janeiro, onde construiu sua trajetória política, Cunha manteve por anos participações diárias em uma rádio gospel, estratégia semelhante à adotada agora em Minas.
Paralelamente à expansão no setor de comunicação, Cunha intensificou, ao longo de 2025, sua agenda política em municípios mineiros.
Presidente da Câmara entre 2015 e 2016, Cunha teve o mandato cassado em meio a investigações da Operação Lava Jato. Em 2022, tentou retornar à Casa por São Paulo, mas não se elegeu.
Antes disso, exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado federal pelo Rio de Janeiro, entre 2003 e 2018. Atualmente, sua principal base eleitoral no Estado é ocupada pela filha, a deputada Dani Cunha (União), eleita em 2022 com 75.810 votos.

