Em ata, BCE mantém trajetória de juros em aberto, ressalta incertezas e cita riscos de inflação
O Banco Central Europeu (BCE) encontra-se em uma posição favorável do ponto de vista da política monetária, mas sua postura não é estática, conforme sinaliza a ata referente à reunião de 4 e 5 de fevereiro. O documento, publicado nesta quinta-feira, 5, reiterou a persistência de incertezas, ponderou sobre a trajetória da inflação e destacou que, embora a perspectiva econômica pareça positiva, “certamente” não deve ser vista como “confortável”.
A ata apontou que a maioria dos membros do BCE considerou os riscos em torno das perspectivas de inflação como “ambivalentes” e observou que a distribuição dos riscos em torno do cenário base permaneceu relativamente inalterada desde a reunião de dezembro. “As perspectivas para a inflação continuaram mais incertas do que o habitual, devido, em particular, à persistente incerteza em relação à política comercial global e às tensões geopolíticas”, detalha.
Diante do cenário incerto, alguns membros consideraram no momento da última reunião que os riscos inflacionários estavam inclinados para baixo em comparação às projeções publicadas em dezembro, mas celebraram o fato de a inflação geral se encontrar próxima da meta de médio prazo de 2%.
De acordo com os dirigentes, em linhas gerais, os últimos indicadores econômicos reforçam as perspectivas das últimas projeções, o que corrobora com a expectativa de que a inflação deverá se estabilizar na meta no médio prazo.
Por outro lado, alertou-se que, no curto prazo, a inflação deve ficar ainda mais abaixo da meta do que se previa, embora tenham sido ressaltado que não se devem tirar conclusões definitivas com base em um único dado, sobretudo diante da recente volatilidade dos preços de energia.
Em relação à taxa cambial, a ata mostra que o impacto da valorização significativa e persistente do euro no segundo trimestre de 2025, que já estava prevista nas projeções, deverá se manifestar ao longo de três anos e atingir o pico após um ano. “Portanto, o pico do efeito de desinflação ainda não foi alcançado”, acrescenta.
O BCE também mostrou que a incerteza em torno da trajetória da taxa de juro manteve-se baixa, e que os choques recentes estão se “desenrolando” e se tornando mais visíveis, em grande parte em linha com as expectativas.

