Especialista vê vantagem de criminosos no ambiente digital

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O presidente do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC), Fábio Diniz, afirmou nesta quinta-feira, 23, durante o Brasil Adiante, que o País precisa criar uma estrutura com poder de coordenação sobre o ambiente digital em meio ao avanço de golpes nas plataformas. “Hoje está fragmentado, cada um tem uma parte e ninguém tem o poder todo”, disse.

Segundo ele, a expansão da infraestrutura digital, acelerada durante a pandemia, não foi acompanhada pela presença das autoridades policiais na internet. “Onde o Estado não está…”, afirmou, ao defender que a atuação no espaço cibernético seja tratada como uma prioridade nacional.

O Brasil Adiante é um projeto do Estadão para apresentar propostas concretas para os principais problemas do País. O ciclo de debates vai até o final de agosto, após o início da campanha eleitoral. As soluções elaboradas serão consolidadas em um documento que será entregue em novembro ao vencedor das eleições presidenciais. A ideia é encaminhar uma agenda integrada e executável de soluções para os primeiros 24 meses do próximo governo.

Fábio Diniz apontou nesta quinta-feira que a burocracia estatal cria uma desvantagem em relação às organizações criminosas, que conseguem agir de forma rápida e coordenada. “O crime não precisa de liturgia, ele decide, manda um salve por WhatsApp e está valendo”, disse. Segundo ele, o Estado precisa superar dificuldades para reunir provas e identificar responsáveis, já que investigações dependem de comprovar a materialidade do crime e a autoria dos envolvidos.

Dados divulgados nesta quinta-feira, 23, no Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança (FBSP), apontam que o Brasil registrou mais de 2 milhões de casos de estelionato pelo terceiro ano consecutivo, consolidando a “epidemia de golpes” que vem sendo enfrentada pelo País. Ao todo, 2.261.055 ocorrências desse tipo foram registradas em 2025 no País.

O modus operandi é diverso: vai desde centrais telefônicas falsas, com criminosos normalmente se passando por instituições bancárias, a quadrilhas que se aproveitam de inteligência artificial para contatar potenciais alvos pelo WhatsApp ou por outros canais.

Diante do atual cenário, o presidente do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC) afirmou que o enfrentamento ao crime organizado depende mais de ferramentas de investigação do que da criação de novas estruturas policiais ou leis. “Não precisamos de mais polícias ou mais leis, precisamos de ferramentas, instrumentação para que o Estado consiga identificar e provar que essas pessoas fizeram aquilo que fizeram”, disse. Assim, ampliar a capacidade tecnológica do Estado é fundamental para superar a vantagem operacional dos grupos criminosos.

Fábio Diniz afirmou ainda que o governo federal precisa ampliar a comunicação com a população sobre segurança digital. “As medidas de proteção dos cidadãos são simples, grande parte delas são simples e pessoas acabam caindo em golpes por falta de conhecimentos que são básicos”, disse. Segundo ele, cabe ao Estado levar informações de prevenção por diferentes canais, como televisão, rádio e internet. “O Estado precisa falar com a população”, afirmou.

O especialista destacou ainda que o Estado tem de ampliar o letramento digital da população diante do avanço dos golpes e crimes virtuais. “Quando a gente digitalizou a vida das pessoas e fez elas irem para o celular de forma obrigatória, é como se a gente tivesse distribuído para a população inteira armas de fogo e falado: usem arma de fogo para se defender, mas não ensinou o que é uma arma de fogo, como se usa”, disse. Para Diniz, o celular se tornou uma ferramenta em que o crime organizado está presente constantemente, e a população precisa ser preparada para lidar com esses riscos.

O presidente do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC) apontou também falhas na proteção de dados e no enfrentamento a crimes digitais. “Do ponto de vista da cibernética, o Brasil não está preparado”, disse. Segundo ele, vazamentos de informações pessoais, como dados de CPFs, alimentam golpes aplicados contra a população.

Veja o cronograma do Brasil Adiante

. 27 de maio: Encontro 1: Eixo I: Estabilidade Institucional e Fundamentos do Crescimento (veja como foi);

. 11 de junho: Encontro 2: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Educação e Saúde) (veja como foi);

. 23 de julho: Encontro 3: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Segurança Pública e Crime Organizado); (veja como foi)

. 19 de agosto: Encontro 4: Eixo III: Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade;

. 27 de agosto: Encontro 5: Apresentação do documento consolidado, divulgação da agenda e fechamento do projeto;

. Novembro: Entrega da agenda de soluções ao presidente eleito.

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Estadão

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