Exportação de sucata ferrosa tem recorde histórico em 2025 por falta de demanda interna

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

As exportações de sucata ferrosa, insumo utilizado na fabricação do aço, bateram recorde no ano passado, com 885.732 toneladas, um aumento de 28,2% em relação ao total de 2024. As vendas externas em 2025 superaram em 10,7% o recorde anterior, em 2023, quando chegaram a 800 mil toneladas. Apenas em dezembro do ano passado, as exportações somaram 74.690 toneladas, incremento de 75% em relação ao mesmo mês de 2024, com 42.672 toneladas. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia.

A forte alta nas vendas externas, porém, não é motivo de comemoração do setor na visão do Instituto Nacional de Reciclagem (Inesfa), órgão de classe que representa mais de 5,5 mil empresas recicladoras. Ao contrário, as exportações, apenas dos excedentes não consumidos internamente, preocupam as empresas de reciclagem representadas pela entidade, que veem um quadro de extrema dificuldade na indústria do aço, com a entrada no Brasil de grande volume de produto chinês (cerca de 6 milhões de toneladas ao ano, para um mercado total de 36 milhões), além do Egito e Turquia.

“Essa situação vem desestruturando a indústria brasileira do aço nos últimos anos, que não tem como competir com a China, mais eficiente do ponto de vista logístico e tributário e que, além disso, tem subsídios do governo há vários anos. Isso tem levado à forte queda nas compras de sucata ferrosa no mercado interno”, afirma Clineu Alvarenga, presidente do Inesfa.

Para Alvarenga, o cenário de 2026 ainda é incerto. “Será um ano de eleições e problemas políticos que devem interferir na economia, com a injeção de mais dinheiro em alguns setores. Mas só vejo melhora na indústria de aço se formos mais competitivos”, afirma.

PUBLICIDADE
Estadão

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo.