Falta de banheiro vira queixa em SP; blocos contratam sanitário para evitar xixi na rua

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Como no fim de semana anterior, o carnaval de rua de São Paulo também tem registros de filas e reclamações de foliões sobre banheiros químicos insuficientes. O número de sanitários disponibilizados neste ano caiu cerca de 30% em relação ao ano anterior, com 1,9 mil equipamentos do tipo por dia.

Ao todo, são 15,3 mil diárias para oito dias de programação oficial, que representam R$ 4,1 milhões no contrato firmado pela Prefeitura com a SPTuris. A empresa municipal é responsável pelo carnaval de rua pelo segundo ano seguido.

No ano passado, foram executadas 21,7 mil diárias, embora o planejamento inicial apontasse ao menos 33 mil. O carnaval de rua de 2026 deve receber mais de 600 desfiles, com expectativa de 16,5 milhões de pessoas, segundo a Prefeitura.

Em nota, a gestão Ricardo Nunes (MBD) afirmou que a infraestrutura do evento “foi projetada considerando a magnitude da festa e o padrão adotado em edições anteriores, bem-sucedidas”. “A quantidade de banheiros foi definida após avaliações, bloco a bloco, por parte da SPTuris, com previsão inicial de 16 mil diárias, que poderá ser ampliada de acordo com a demanda”, completou.

A situação tem causado reclamações. No Bloco Manada, que desfilou na Barra Funda, na zona oeste, foliões reclamaram da falta de banheiros ontem, 14. No mesmo dia, o problema se repetiu com o bloco Filhos de Plutão, na Vila Romana, também na zona oeste.

No trajeto do Bloco Bastardo, em Pinheiros, a reportagem constatou neste domingo, 15, três pontos de banheiros químicos. Um longo trecho, percorrido pelos foliões em duas horas, não teve nenhum banheiro. Segundo um comerciante e um segurança de condomínio ouvidos pela reportagem, que não quiseram ser identificados, é frequente ter de chamar a atenção de foliões para evitar que urinem nas paredes.

A reportagem também observou estabelecimentos que proíbem a entrada de quem estiver na festa caso não consumam. Ou que cobram pelo uso dos banheiros – chegando a R$ 10.

Nas redes sociais, foliões também têm reclamado. Comentários do tipo têm se espalhado por publicações da Prefeitura, como em postagem recente no Instagram.

“Descaso com a população e os turistas que vêm curtir o Carnaval, falta infraestrutura, banheiros”, reclamou uma foliã. “Cadê os banheiros pelas ruas?”, indagou outro. “Com menos banheiros, mais gradis pra gente não conseguir sair, falta de estrutura”, apontou um terceiro.

Manifesto assinado por 46 blocos na semana passada incluiu banheiros insuficientes entre os problemas atuais do carnaval de rua. A carta é assinada por alguns dos mais conhecidos da cidade, como Saia de Chita, Bastardo, Ritaleena, A Espetacular Charanga do França e Filhos de Gil. Alguns blocos chegam a contratar banheiros extras para atender ao público.

Além disso, o Conseg Santa Cecília/Campos Elíseos/Avenida Higienópolis apontou, em rede social, que foi procurado por moradores sobre a insuficiência de banheiros químicos. “A história do contrato dos banheiros é absolutamente absurda”, postou.

Fundado em 2013, o Cerca Frango decidiu alugar banheiros pela primeira vez neste ano. “A gente sempre se preocupou com a vizinhança, mapeia locais para a Prefeitura colocar os banheiros. Mas, todo ano, é menos banheiro do que precisa e em locais equivocados. Neste ano, resolvemos colocar onde sabemos que são pontos sensíveis”, conta Erick Roza, um dos fundadores.

O bloco contratou oito banheiros para o desfile de terça-feira, 17, na Vila Romana, zona oeste. O aluguel foi pago com recursos da agremiação, como vaquinha e patrocinadores.

A insuficiência e até ausência de banheiros em alguns desfiles levaram à desconfiança de alguns grupos sobre a disponibilização da infraestrutura. “Como nosso bloco ainda não aconteceu, não sabemos se vai ter de fato os banheiros prometidos pela Prefeitura”, completa Roza.

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Estadão

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