Fipe: preços de medicamentos a hospitais sobem 0,14% em junho e registram 3ª alta seguida
Os preços dos medicamentos negociados entre fornecedores e hospitais brasileiros subiram, em média, 0,14% em junho. Foi o terceiro avanço mensal consecutivo do Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em dados transacionais da plataforma Bionexo Tasy.
No acumulado do primeiro semestre, contudo, esses preços fecharam praticamente estáveis, mostrando uma ligeira baixa de 0,01%. No período de 12 meses encerrado em junho, os preços dos medicamentos negociados entre fornecedores e hospitais acumulam uma queda de 4,08%.
O comportamento do índice reflete uma recomposição gradual dos preços após a entrada em vigor dos reajustes anuais autorizados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), mas sem caracterizar uma recuperação ampla do mercado hospitalar.
“O resultado de junho reforça que o mercado hospitalar continua apresentando uma dinâmica bastante distinta daquela observada no varejo farmacêutico. Mesmo após três meses consecutivos de alta, o IPM-H encerra o primeiro semestre praticamente estável, mostrando que hospitais e fornecedores seguem operando em um ambiente de forte disciplina nas negociações e busca constante por eficiência”, diz o diretor de Estratégia e Inteligência de Mercado da Bionexo Tasy, Herbert Cepêra.
Esse quadro, de acordo com ele, evidencia que a gestão estratégica de compras e o uso intensivo de dados continuam sendo determinantes para controlar custos, mesmo diante dos reajustes regulatórios e das oscilações econômicas.
Para Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe, o resultado de junho confirma que os preços dos medicamentos para hospitais seguem em um processo gradual de recomposição, mas ainda distante de uma recuperação generalizada.
“A alta de 0,14% ficou abaixo da média histórica para o mês e foi insuficiente para reverter a estabilidade observada no primeiro semestre e a queda acumulada em 12 meses, evidenciando que o mercado hospitalar continua apresentando uma dinâmica própria após os reajustes da CMED”, afirma Oliva.
Na comparação com outros indicadores econômicos, o IPCA/IBGE registrou alta de 0,16% em junho, enquanto o IGP-M/FGV apresentou deflação de 0,50% no período. Já a taxa média de câmbio apurada pelo Banco Central avançou 2,89% no mês, embora ainda acumule queda de 5,97% em 2026 e de 7,56% nos últimos 12 meses.
Entre os grupos terapêuticos que compõem o IPM-H, os maiores aumentos de preços em junho foram observados em medicamentos destinados ao aparelho respiratório, com alta de 1,67%; órgãos sensitivos, 1,65%; sangue e órgãos hematopoiéticos, 0,92%; preparados hormonais, 0,57%; sistema nervoso, 0,46%, além de imunoterápicos, vacinas e antialérgicos, com aumento de 0,23% e agentes antineoplásicos, com 0,01%.
Por outro lado, cinco grupos terapêuticos registraram retração de preços no mês passado: sistema musculoesquelético, 1,67%; aparelho geniturinário, 1,07%; anti-infecciosos gerais para uso sistêmico, 0,48%; aparelho cardiovascular, 0,39% e aparelho digestivo e metabolismo, 0,31%.
Na comparação dos últimos 12 meses, o IPM-H mantém trajetória negativa iniciada em outubro de 2025, acumulando retração de 4,08%. Nesse período, as maiores quedas foram registradas nos preços de imunoterápicos, vacinas e antialérgicos, 11,84%; sistema musculoesquelético, 9,48%; aparelho digestivo e metabolismo, 5,95%; anti-infecciosos gerais para uso sistêmico, 4,34%; preparados hormonais, 4,32%; sangue e órgãos hematopoiéticos, 3,85%; agentes antineoplásicos, 2,20% e órgãos sensitivos, 1,80%.
As únicas altas nesse horizonte foram observadas em medicamentos destinados ao sistema nervoso, 3,23%; aparelho cardiovascular, 2,37%; aparelho geniturinário, 2,06% e aparelho respiratório; 1,11%.
