Flávio Bolsonaro: Depois da eleição, na transição, quero aprovar PEC do fim da reeleição

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O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disse nesta segunda-feira, 15, que, se eleito, já na transição de governo, irá usar o prestígio de um presidente recém-eleito para aprovar a PEC, de sua autoria, para acabar com a reeleição. O senador fez esta afirmação ao encerrar, o Veja Fórum, evento organizado pela Revista Veja.

“Faço questão de aprovar esta PEC que eu mesmo fiz para dar esse exemplo, para mostrar que eu não estou aqui por disputa de poder, que não estou aqui por um projeto pessoal”, disse o filho de Jair Bolsonaro. E continuou: “Eu acredito, de verdade, que com essa, com essa impossibilidade de reeleição, eu não sei qual vai ser o tamanho do mandato que o Congresso vai aprovar de cinco anos ou quais são as regras eleitorais.”

O senador disse que pretende usar o prestígio (de presidente recém-eleito) para colocar seu projeto de fim da reeleição em prática. “Isso porque todo mundo que senta na cadeira de presidente, a partir do primeiro dia, já começa a pensar na reeleição. Você não tendo a reeleição, isso dá muito mais força para você tomar medidas que não vão ser fáceis”, comentou.

Para ele, colocar o Brasil nos eixos não vai ser fácil, mas prometeu devolver o equilíbrio fiscal, reduzir taxa de juro, inflação e devolver o poder de compra ao povo brasileiro. “Então, essa é a coisa que nós vamos fazer”, disse.

“Gatilhos para corte de gastos”

Durante o evento, Flávio Bolsonaro afirmou também que pretende propor o acionamento de gatilhos específicos para cortes de despesas se a relação da dívida pública pelo Produto Interno Bruto (PIB) atingir um “determinado patamar”. Flávio, contudo, não detalhou qual seria esse nível.

“A gente tem que criar uma espécie de mecanismo de que, quando a relação dívida/PIB ultrapassar um determinado patamar, gatilhos automáticos terão que ser acionados para cortes drásticos de despesas. Não tem outro caminho”, frisou, durante o fórum Rumos do Brasil.

O pré-candidato do PL ainda disse que, com o acionamento de gatilhos sobre as despesas, as taxas de juros futuros irão reduzir e o País deve resgatar a credibilidade aos poucos. “A tendência é de redução da Selic. Com isso, a gente vai conseguir atrair novos investimentos”, frisou.

Flávio reiterou que “não há outro caminho” a não ser a realização de reformas estruturais e de uma redução “drástica” nas despesas. “Não dá mais pra ficar nessa corrida do gato correndo atrás do rabo, em que o governo aumenta a carga tributária, cria novos impostos, aumenta os impostos que já existem para continuar gastando mais. Porque nessa irresponsabilidade fiscal, quem mais sofre é o povo pobre”, salientou.

“Críticas à Haddad”

O pré-candidato criticou a política econômica do atual governo federal e disse que o País irá precisar do retorno da direita ao poder para “arrumar a casa” para que a economia “não exploda”, em meio ao que ele considera gastos excessivos por parte do governo.

“O Fernando Haddad ex-ministro da Fazenda e hoje pré-candidato ao governo de São Paulo deve estar torcendo muito para a minha eleição, acho que ele vai acabar votando em mim. Porque a bomba fiscal que ele está deixando para o próximo governo sabe que o próximo governo não vai conseguir desarmar. Vai precisar de um time de estrelas dentro do Ministério da Economia, pessoas comprometidas com o País, com um controle fiscal rigoroso”, disse Flávio Bolsonaro.

Segundo o senador, a inflação “chegou” neste ano e há todos os elementos para o que ele considera ser uma “tempestade” acontecer na economia. Flávio Bolsonaro disse que, mesmo com os gastos elevados do governo federal, o brasileiro não tem mais poder de compra. “Dá um auxílio-gás, mas o povo não está com dinheiro para comprar comida para botar em cima do fogão e comer. Os R$ 600 valor do Bolsa Família não enchem mais o carrinho como antes”, disse.

Para Flávio, é preciso haver um maior controle dos gastos, impondo limites para a relação entre o nível da dívida pública e o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB). Ele também fez críticas ao que considera ser uma elevada carga tributária no País e disse haver necessidade de diminuir o número de ministérios. “Temos 39 Ministérios. Isso tem que ser enxugado urgentemente”, pontuou.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também fez críticas ao nível da taxa de juros, que segundo ele está alta por causa da expansão fiscal. Para Flávio Bolsonaro, Lula irá deixar um legado de “desespero e dívidas” e o petista não pensa no futuro do País.

Questionado se já tem um nome definido para a área econômica em um eventual governo, Flávio não mencionou nenhum nome, mas ele teceu elogios à ex-presidente da Caixa, Daniella Marques. Ela estava na plateia do evento e seu nome tem sido apontado como uma das assessoras da área econômica na campanha.

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Estadão

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