Fluminense alerta para segurança jurídica em veto às bets: ‘Surpreendidos de um dia para outro’
Além do Flamengo, o Fluminense foi outro clube da Série A do Campeonato Brasileiro que voltou a se manifestar sobre a proibição das bets no Brasil. O anúncio do governo federal, nesta sexta-feira, colocou o prazo de 5 de outubro para a retirada das publicidades e sinais de patrocínio.
O clube tricolor defendeu que o debate sobre a proibição das apostas é legítimo e não deve ser interditado, reiterando preocupações com endividamento e vício. Entretanto, o texto publicado ressalva pontos que o veto pode acarretar.
É levantada a questão sobre segurança jurídica e previsibilidade, citando que as empresas do setor cumpriram a regulamentação e firmaram contratos que “não podem ser surpreendidos de um dia para o outro”.
“O clube assumiu compromissos financeiros para este e os próximos anos contando com esses recursos. Um exemplo concreto: as lojas do Fluminense têm seis meses de estoque de camisas com a marca do patrocinador master. Uma mudança abrupta gera prejuízos e pode custar milhares de empregos em toda a cadeia”, diz um trecho.
O Fluminense reitera que recursos de patrocínios também financiam categorias de base, futebol feminino e esportes olímpicos. O clube ainda questiona a efetividade da medida, alertando que a proibição não acabará com o mercado clandestino e aponta possível impacto na arrecadação pública.
“Defendemos, no mínimo, um período de transição adequado caso haja mudanças. O caminho deve ser guiado por dados concretos e pela efetividade de cada alternativa”, conclui o comunicado.
Mais cedo, o Flamengo havia sido mais duro, com uma nota crítica à medida provisória. O clube, patrocinado pela Betano, argumentou que a mudança prejudicará o esporte e a economia, destacando que a regulamentação atual foi fruto de longas discussões e garante fiscalização e tributação.
Casas de apostas que patrocinam clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro notificaram equipes sobre possíveis rescisões contratuais. Pelo menos Corinthians, São Paulo e Fluminense estão entre os alertados. Em 2025, patrocínios somaram R$ 1,14 bilhão, 7,9% das receitas dos clubes.