Fora etanol, combustíveis fecham 2025 quase estáveis, mas ICMS puxa alta do preço em janeiro
Os preços de combustíveis entram em 2026 em alta, puxada pela entrada em vigor das novas alíquotas do ICMS. Apenas com o impacto do imposto, o litro da gasolina terá acréscimo de R$ 0,10 este mês, com o ICMS passando de R$ 1,47 para R$ 1,57. Em 2025, os preços ficaram praticamente estáveis. A exceção foi o etanol, que liderou o aumento de preços do setor no ano passado, com alta de quase 5%.
A alíquota de ICMS do diesel e do biodiesel subiu de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro, acréscimo de R$ 0,05 por litro e aumento de 4,4%. Já o gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, terá a alíquota elevada de R$ 1,39 para R$ 1,47 por quilo, equivalente a um reajuste de 5,7% e alta de R$ 1,05 por botijão (de 13 kg), informa a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes.
De acordo com a Petrobras, o ICMS corresponde a cerca de 23,7% da composição do preço da gasolina; 18,4% no caso do diesel; e 16,4% no Gás Liquefeito de Petróleo (GLP).
O etanol foi o maior vilão da inflação dos combustíveis no ano passado, mostra levantamento da ValeCard, empresa especializada em meios de pagamento, soluções de mobilidade e benefícios corporativos. O biocombustível acumulou alta de 4,92% no ano, passando a custar, em média, R$ 4,56 o litro.
Já o preço médio do litro da gasolina em 2025 subiu 0,52%, para R$ 6,37 e do diesel S-10 registrou ligeira queda, de 0,88%, caindo a R$ 6,30, mostrou a ValeCard.
Dezembro
Em dezembro, o preço médio do etanol aumentou em 22 Estados, ainda segundo a ValeCard, considerando transações realizadas entre 1º e 28 de dezembro em mais de 25 mil postos credenciados em todo o País.
“Os dados de dezembro mostram um mercado de combustíveis mais estável, com reajustes pontuais e variações contidas na maior parte do País. O etanol foi o combustível que concentrou a maior pressão de alta no mês, enquanto gasolina e diesel apresentaram movimentos mais moderados, refletindo um cenário de menor volatilidade no fechamento do ano”, afirmou o diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, Marcelo Braga.
Segundo o executivo, a elevação do preço do etanol em dezembro está diretamente relacionada à dinâmica sazonal do setor sucroenergético.
“Com o encerramento da safra de cana-de-açúcar e a entrada no período de entressafra, a oferta do biocombustível fica mais restrita justamente em um momento de maior demanda, impulsionado pelas férias e pelo aumento das viagens de fim de ano. Essa combinação pressionou os preços nas bombas e explica a alta mais acentuada do etanol em comparação com outros combustíveis”, acrescentou Braga.
Ano
Em levantamento realizado pela Agência Nacional Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) o preço médio do litro da gasolina passou de R$ 6,14, em dezembro de 2024, para R$ 6,22 na semana de 21 a 27 de dezembro de 2025, alta de 1,3%. Segundo a Fecombustíveis, a alta não refletiu as duas reduções de preço feitas pela Petrobras ao longo do ano, em 3 de junho e em 21 de outubro.
No acumulado do ano passado, a Petrobras reduziu o preço da gasolina em R$ 0,31 por litro ou 10,3%. Desde dezembro de 2022, os preços de gasolina para as distribuidoras foram reduzidos em R$ 0,36 por litro pela estatal. Já o diesel passou de R$ 6,11, em dezembro de 2024, para R$ 6,08, no mesmo período de 2025, uma queda de 0,5%, segundo a ANP.

