Fundo imobiliário com foco em GD da Suno Asset adquire 20 usinas solares por R$ 436 mi
O fundo imobiliário que investe em usinas fotovoltaicas de geração distribuída (GD) Suno Energias Limpas (SNEL11), gerido pela Suno Asset, anunciou nesta quinta-feira, 29, a aquisição de 20 projetos de GD fotovoltaica por R$ 436,2 milhões.
Os ativos somam 87,5 megawatts-pico (MWp) de capacidade instalada e estão distribuídos por 22 cidades de sete Estados, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Bahia e Pernambuco, e do Distrito Federal.
De acordo com fato relevante sobre o negócio divulgado nesta quinta, as aquisições apresentam Taxa Interna de Retorno (TIR) Real projetada de 14,44% ao ano, calculada pela média ponderada dos custos de compra de cada ativo e líquida dos custos do fundo. A inflação que corrige os contratos não foi considerada.
Os ativos podem aumentar a capacidade de geração total do portfólio do fundo em cerca de 153.460 megawatt-hora (MWh) por ano, segundo o mesmo comunicado. Ao todo, já são 37 projetos no portfólio do fundo.
De acordo com o diretor de investimentos da Suno Asset, Vitor Duarte, a lógica do negócio é a aquisição das usinas fotovoltaicas com até 5 MW cada e alugá-las pra organizadoras de consórcios que fazem a gestão dos créditos de GD já que, neste modelo de geração, os créditos referentes à energia não consumida pelo “gerador” viram créditos de desconto na conta de luz, que podem ser usados dentro da área de concessão da distribuidora responsável pela região.
À Broadcast sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, ele explicou que o fundo – que captou R$ 622 milhões recentemente – trabalha só com usinas de GD solar, mas tem avaliado outras fontes como hídrica e biomassa. “Queremos diversificar a matriz, mas tudo dentro de GD porque queremos nos manter como um fundo imobiliário”, afirmou.
O executivo pontua que a aquisição foi feita junto a sete diferentes vendedores, que aportaram “boa parte” dos recursos obtidos no próprio fundo, tornando-se cotistas do SNEL11, que acumula valor de mercado de aproximadamente R$ 950 milhões.
Duarte destaca ainda que todos os ativos adquiridos estão classificados como GD0 e GD1, que mantém a isenção na tarifa fio para este tipo de empreendimento até 2045, conforme previsto no marco legal do segmento, de 2023, que após este ano implantou uma transição para que os empreendimentos de GD passassem a colaborar gradativamente com a tarifa.
Ele reconhece que, por causa da restrição temporal, o número de empreendimentos com tamanho desconto não aumentará, mas avalia que o mercado é grande o suficiente que somente o ganho de participação nele “já é muito”, sem contar a possibilidade de ampliação para outras fontes.
Em relação à discussão sobre o avanço dos cortes de geração renovável (curtailment) para as usinas de GD, ele cita o próprio marco legal do segmento e aponta que qualquer alteração “traria uma insegurança jurídica muito grande”, mas admite que há pressão por outros segmentos dentro do setor elétrico para que elas sejam abrangidas. “O risco sempre existe”, afirmou.
Já sobre as expectativas de concorrência entre a GD e o mercado livre por causa da abertura prevista para os próximos anos, ele vê uma migração mais robusta de consumidores maiores, mas lembra da complexidade de tornar-se um gestor da própria energia versus obter apenas o desconto relativo aos créditos, como ocorre no modelo da GD.
“A fricção de ir para o mercado livre é muito grande. É a mesma coisa que a complexidade de investir na Bolsa. Você vai virar trader da energia na sua casa para economizar, por exemplo, R$ 50 reais por mês, não faz nenhum sentido. É muito mais fácil ir GD e garantir os créditos que vão ser sempre um pouco mais baratos do que a energia cativa”, opina.

