‘Futuro brasileiro é de hegemonia conservadora’, diz Lucas Pavanato
Candidato mais votado para deputado federal em São Paulo, o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL) afirmou que o resultado das urnas no primeiro turno reflete a insatisfação dos eleitores com o Supremo Tribunal Federal (STF) e com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O eleitor está insatisfeito com os abusos do STF e não quer mais o projeto político do PT. O PSOL nem mesmo bateu a cláusula de barreira. O futuro brasileiro é de hegemonia conservadora”, disse Pavanato em entrevista ao Estadão.
Pavanato recebeu pouco mais de três milhões de votos dos paulistas e foi o segundo mais votado no Brasil – atrás apenas do correligionário mineiro Nikolas Ferreira, de quem recebeu apoio oficial durante a campanha de primeiro turno. Aos 28 anos, ele também se tornou o deputado federal com mais votos na história de São Paulo.
Em conversa com o Estadão nesta terça-feira, 5, o parlamentar eleito à Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), criticou a atuação de juízes da Suprema Corte e defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Pavanato também atribuiu o número de votos que recebeu ao confronto à Corte Constitucional brasileira.
“A perseguição e os abusos saíram pela culatra. Tivemos ampliação significativa da bancada de direita, de políticos que enfrentam o Supremo. Minha votação tem a ver com isso. Nunca poupei palavras para pedir o impeachment de Alexandre de Moraes”, afirmou o vereador.
Pavanato disse acreditar que a função do STF é julgar pautas constitucionais e defendeu a limitação de indicações feitas por um mesmo presidente da República. “Caso o Lula vencesse, indicaria quatro a cinco ministros do Supremo, o que acabaria com a nossa democracia. Teríamos a hegemonia no STF de um só partido.” Em seguida, afirmou que será uma voz no Congresso a pedir pelo afastamento de Moraes.
Ainda nas críticas ao STF, Lucas Pavanato fez menção à Revolução Constitucionalista de 1932, quando as forças de São Paulo se levantaram contra o governo de Getúlio Vargas, pedindo uma nova Constituição para o País. “Represento a voz dos paulistas, que na Revolução Constitucionalista enfrentaram uma ditadura. Agora, estamos enfrentando outra”, disse o deputado eleito democraticamente nas urnas.
Questionado sobre a MP do fim das bets, Pavanato sinalizou ser favorável à limitação dos sites de aposta no Brasil em uma futura votação no Congresso Nacional. Proibidos no País por medida provisória – aprovada pelo presidente Lula em setembro -, as bets serão matéria de análise dos parlamentares no ano que vem. Isso porque as MPs têm validade máxima de 180 dias, ou quatro meses. Durante a entrevista, ele criticou a falta de transparência dos algoritmos. “No cassino físico, a pessoa sabe a probabilidade de perder. No virtual, ninguém sabe como foi programado. É um estelionato.”
Sobre o fim da escala 6×1, Lucas Pavanato se disse favorável à redução da jornada de trabalho no Brasil. “Mas não da forma populista como a esquerda está fazendo”, disse. O deputado federal criticou o projeto apresentado pela deputada Erika Hilton (PSOL), segunda mais votada de São Paulo com 1,6 milhão de votos. “Vai gerar desemprego, piores condições de trabalho e maiores preços.”
Projetando as pautas que deseja propor e votar em Brasília, o deputado eleito falou em redução da maioridade penal. “Em crimes hediondos, o que deve definir a idade para ser preso é a jurisprudência.” Também criticou “leis identitárias” e disse querer trabalhar contra a ampliação das hipóteses em que o aborto é admitido no Brasil. Ele ainda falou em “libertar os presos de 8 de janeiro”, assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes contra a ordem democrática.
Por fim, Pavanato falou sobre a importância do apoio que recebeu de Nikolas Ferreira e afirmou que juntos tocarão o maior projeto de direita a nível federal. Também exaltou a votação oferecida pelos paulistas. “O que eu fiz em São Paulo é proporcional ao que ele fez em Minas na primeira votação dele. Não adianta ter apoio se não tiver personalidade e trabalho próprio.”