Fuvest anula questão após erro em coordenada geográfica de Porto de Galinhas

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A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) divulgou na manhã desta segunda-feira, 2, a anulação de uma questão de Matemática da primeira fase do vestibular 2027 por conta de um erro relacionado às coordenadas geográficas de Porto de Galinhas, no litoral de Pernambuco. Com isso, todos os estudantes que prestaram a prova pontuam.

Principal meio de entrada para a Universidade de São Paulo (USP), o exame foi aplicado na tarde do domingo, 1º de novembro, em 88 localidades, com questões que abordaram do cantor porto-riquenho Bad Bunny ao seriado Stranger Things. Cerca de 106 mil pessoas se inscreveram para a primeira fase da prova, que teve a menor taxa de abstenção da história (6,4%).

A questão anulada é a 23 da prova V1 (que corresponde ainda à 3 na prova V2, à 66 na V3 e à 45 na V4). Ao questionar a distância que um navio percorre ao partir de Porto de Galinhas até Luanda, em Angola, o enunciado apresenta um erro na longitude do distrito pernambucano: indica que fica a 35º leste, em vez de oeste.

Ainda no domingo, alguns professores começaram a questionar a imprecisão apresentada na questão. “Leste está certo para a cidade em Angola, mas no caso da localidade em Pernambuco é oeste”, disse Vera Lúcia Antunes, coordenadora Pedagógica do Objetivo.

No gabarito oficial, divulgado de noite, a resposta indicada para a questão foi a A. Alguns professores ainda tinham dúvidas se, por conta de o erro estar só no enunciado e haver resposta válida para candidatos que seguissem as coordenadas indicadas, o item seria invalidado. Agora, nota da Fuvest confirma a anulação.

Segundo a entidade, do ponto de vista estritamente matemático, a questão possui, de fato, resposta correta. “Sem a representação em mapa e sem a designação das cidades, que poderiam ter sido chamadas de X e Y, a questão teria cumprido integralmente seu propósito”, diz.

Ao mesmo tempo, a Fuvest afirma que, na medida em que exige o manejo interdisciplinar dos temas, o “erro constante do enunciado não comporta escusas”. “A circunstância de a questão apresentar um erro de coordenada geográfica mostra-se causa suficiente para sua anulação”, afirma.

Na nota divulgada nesta segunda, a entidade aponta ainda que, a partir de agora, compromete-se a submeter as questões interdisciplinares de matemática à revisão criteriosa de especialistas de todas as áreas envolvidas na questão formulada, como já faz nas outras grandes áreas.

A principal novidade deste ano foi que a primeira fase agora tem um número menor de questões de múltipla escolha – em vez das tradicionais 90, passaram a ser 80 questões. O tempo de prova, ainda assim, seguiu sendo de 5 horas de duração.

Segundo a Fuvest, o novo formato acompanha a ampliação da interdisciplinaridade do conteúdo e a preferência por questões que exigem do candidato a capacidade de relacionar conhecimentos de diferentes áreas. O objetivo da 1ª fase é identificar características como a competência para leitura e compreensão de diferentes textos, em linguagens diversificadas, e conhecimentos básicos nas áreas de ciências humanas, biológicas, exatas e em língua estrangeira.

Prova tem menor abstenção da história

A Fuvest somou, ao todo, 106,1 mil inscritos para a 1ª fase, incluindo 12,3 mil que estão participando de treinamento. Ao todo, são 8.147 vagas, sendo 4.888 na modalidade ampla concorrência; 2.053 para egressos de escolas públicas, e 1.206 para egressos de escolas públicas autodeclarados pretos, pardos ou indígenas.

Diretor-executivo da Fuvest, Gustavo Monaco afirmou, em coletiva de imprensa realizada no fim da tarde de domingo, que, por mais que o número de inscritos para a primeira fase deste ano tenha caído 5% em relação à última edição, a taxa de comparecimento foi a maior desde o início da aplicação da prova, há 50 anos.

“Nós tivemos a menor abstenção da história da primeira fase, de 6,4%, para os candidatos”, afirmou.

Fortaleza, estreante na Fuvest, foi a cidade com a maior abstenção, de 9%, enquanto o índice ficou em 7,2% na capital paulista. “De modo geral, a prova transcorreu bastante tranquila”, acrescentou Monaco.

Entre os problemas relatados, está o de um grupo de estudantes que não conseguiu realizar o exame após chegar pouco depois das 13h, horário do fechamento dos portões, em um ponto de prova em Mogi das Cruzes, Região Metropolitana de São Paulo. O motivo seria o atraso em trens da CPTM na região.

Monaco lamentou a situação, mas afirmou que não há previsão de reaplicação de prova para os candidatos que foram afetados. “O protocolo é bastante rígido nesses casos, nós não reabrimos os portões em hipótese alguma e não há reaplicação de provas”, afirmou durante a coletiva.

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Estadão

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