Governo federal não coloca dinheiro nenhum no Minha Casa Minha Vida em SP, diz Tarcísio
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira, 7, que o governo federal não coloca recursos orçamentários no Minha Casa Minha Vida no Estado e atribuiu à gestão paulista os subsídios que viabilizam a compra de imóveis.
Em meio a críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à defesa da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), o governador acusou a União de tentar se apropriar dos resultados da política habitacional no Estado. O MCMV foi criado pelo governo Lula em 2009.
Segundo Tarcísio, o governo federal financia os imóveis com recursos do FGTS da própria população, enquanto o Estado oferece subsídios para que as famílias consigam pagar a entrada e fechar a compra. O governador citou cheques de R$ 10 mil, R$ 13 mil e R$ 16 mil e afirmou que mais de 75% dos empreendimentos são viabilizados por esse auxílio. “De fato, a gente bota dinheiro, ele não”, declarou.
Em tom irônico, Tarcísio disse que o governo federal “quer a paternidade de tudo” e comparou a reivindicação dos resultados habitacionais à autoria de monumentos históricos. “Eles devem ter feito o farol de Salvador, o Cristo Redentor, plantado a Amazônia, criado a matemática, feito as pirâmides do Egito”, afirmou.
As declarações foram dadas em São Paulo durante participação em evento da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) e em coletiva de imprensa, na capital paulista. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também esteve presente.
Efeito colateral
Tarcísio também criticou o desenho recente do Minha Casa, Minha Vida e disse que a ampliação do programa para a classe média, com a criação da faixa 4, produz um “efeito colateral” ao retirar recursos de quem está na base da pirâmide.
“Você estende o Minha Casa, Minha Vida para a classe média, cria a faixa 4, que é bom por um lado, mas já é um efeito colateral: você está subtraindo o dinheiro e aquelas pessoas mais pobres acabam ficando alijadas do programa habitacional, e isso é um problema”, afirmou, durante participação no 9º Incorpora Abrainc – Rotas para 2027.
No evento do setor imobiliário, Tarcísio avaliou que o mercado de habitação vive um “espremimento”, com a alta renda ainda tracionando e a baixa renda sustentada pelo subsídio, enquanto a classe média sumiu do financiamento imobiliário. Ele defendeu que, em São Paulo, o impulso ao crédito e aos subsídios estaduais ajudou a destravar projetos do MCMV.
“O Minha Casa, Minha Vida andou em São Paulo por causa do nosso cheque; se não, muitos empreendimentos não teriam fechado”, disse.
Na agenda habitacional, Tarcísio disse que o governo paulista pretende ampliar o uso de instrumentos estaduais, em especial a Carta de Crédito Imobiliário (CCI), por considerar que o mecanismo permite produzir mais moradias com menor volume de recursos públicos. “A CCI não só vai ser preservada, como potencializada. Com menos orçamento, eu produzo mais habitação”, afirmou.
Segundo ele, o Estado tem direcionado o programa para rendas mais baixas, com beneficiários na faixa de 1,7 a 2 salários mínimos em empreendimentos com infraestrutura completa.
Tarcísio afirmou ainda que São Paulo executa “o maior programa habitacional da história do Estado”, com o Casa Paulista, citando 92,5 mil unidades entregues em quatro anos e 120 mil em obras. No palco, elogiou o alinhamento com a Prefeitura de São Paulo e defendeu coordenação federativa mais ampla. “Eu fico imaginando como vai ser bom se tiver alinhamento governo federal, governo do Estado e prefeituras”, disse.
Durante palestra no evento, o governador classificou como “irresponsabilidade” usar o FGTS para enfrentar o endividamento das famílias, por considerar que a medida retira recursos de investimentos de longo prazo em habitação. Avaliou ainda que ampliar o MCMV para a classe média é positivo, mas gera efeitos colaterais.
Tarcísio também afirmou que o País é “inimigo do empreendedor”, mas que os empresários resistem. Sobre a disputa presidencial, disse estar otimista com o futuro, que “chega em 18 dias”, e imaginar como seria positivo um alinhamento entre São Paulo e o governo federal.