Governo Starmer encara crise após saída de chefe de comunicações sob revelações do caso Epstein

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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, enfrenta uma crise de liderança após a renúncia de seu chefe de comunicações, Tim Allan, nesta segunda-feira, 9, em meio às revelações sobre a relação entre o ex-embaixador britânico em Washington Peter Mandelson e o criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Allan afirmou que deixará o cargo para permitir a formação de “uma nova equipe em Downing Street nº 10”, endereço do governo britânico. A saída ocorre um dia depois da renúncia do chefe de gabinete de Starmer Morgan McSweeney e aprofunda a instabilidade no núcleo do governo, enquanto o premiê perde apoio entre parlamentares do Partido Trabalhista.

A crise foi detonada pela decisão de Starmer, em 2024, de nomear Mandelson para o principal posto diplomático do Reino Unido, apesar de saber que ele mantinha vínculos com Epstein. Mandelson foi demitido em setembro, após a divulgação de e-mails que indicavam a continuidade da amizade mesmo depois da condenação de Epstein, em 2008, por crimes sexuais envolvendo um menor.

Um novo conjunto de arquivos divulgados nos Estados Unidos trouxe mais detalhes sobre a relação e aumentou a pressão política. Starmer pediu desculpas na semana passada por “ter acreditado nas mentiras de Mandelson” e prometeu divulgar documentos que, segundo o governo, mostram que o ex-embaixador enganou autoridades sobre seus laços com Epstein.

A polícia investiga Mandelson por possível má conduta no exercício de cargo público, após surgirem documentos que sugerem o repasse de informações governamentais sensíveis a Epstein há cerca de 15 anos. Ele não foi preso nem formalmente acusado.

Starmer deve se reunir a portas fechadas com parlamentares trabalhistas ainda nesta segunda-feira, numa tentativa de conter a rebelião interna e reconstruir sua autoridade, enquanto cresce o debate sobre a viabilidade de sua permanência no cargo.

*Com informações da Associated Press.

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Estadão

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