Grécia barra pacote de sanções da UE e ajuda frota sombra da Rússia, diz analista
A resistência da União Europeia (UE) em fechar brechas nas sanções contra a Rússia volta a expor divisões internas que enfraquecem o bloco como ator geopolítico. Em análise, o economista Robin Brooks, do Brookings Institute, afirma que a incapacidade de endurecer medidas contra a chamada “frota sombra” de petroleiros russos tem permitido a continuidade das exportações de petróleo de Moscou, fonte crucial de financiamento da guerra na Ucrânia.
Em publicação no X, Brooks foi ainda mais direto ao atribuir responsabilidade à Grécia. Segundo ele, o país “está bloqueando o 20º pacote de sanções da UE” e, desde a invasão russa da Ucrânia, “em todas as ocasiões obstruiu” iniciativas do bloco. “O pior de tudo é que a Grécia ajudou a Rússia a construir a frota sombra”, escreveu, afirmando que essa postura causou “danos imensuráveis ao povo ucraniano”.
Já em um artigo publicado em seu blog, Brooks reconhece que a UE avançou neste ano ao sancionar parte desses navios, mas avalia que o esforço permanece incompleto. “A frota sombra de petroleiros da Rússia continua a operar com impunidade no Báltico”, afirma, acrescentando que as sanções europeias “não têm o mesmo fator de medo” das medidas adotadas pelos Estados Unidos. Para ele, os petroleiros representam o “calcanhar de Aquiles” de Vladimir Putin na guerra, o que torna a hesitação europeia ainda mais custosa do ponto de vista estratégico.
O caso se soma, segundo Brooks, a outras “mensagens contraditórias” enviadas pela UE desde o início do conflito. Ele cita fluxos de reexportação de bens europeus para a Rússia via países como o Quirguistão, práticas que, segundo o economista, só cessaram onde houve clara vontade política. “Isso basicamente exige um telefonema para os principais exportadores”, escreve, destacando que Lituânia e Polônia conseguiram interromper essas operações.
Para Brooks, fechar essas brechas não exige novos recursos nem debates fiscais complexos, apenas decisão política. Enquanto isso não ocorrer, conclui, a UE seguirá “batendo a cabeça contra a parede” em sua tentativa de se afirmar como um ator geopolítico respeitado.

