Guerras no Oriente Médio e na Ucrânia colocam Europa à caça de soluções para crise energética
A guerra da Ucrânia somada ao conflito no Oriente Médio intensificaram a erosão da segurança energética tradicional na Europa. Os desdobramentos seguem gerando medidas diversas, além de ampliar o debate regional sobre como conciliar a necessidade imediata de segurança em relação aos combustíveis fósseis com o objetivo de longo prazo da independência energética.
Diante desse contexto, a Comissão Europeia não apresentará mais uma proposta legal para proibir permanentemente as importações de petróleo russo em 15 de abril, como planejado anteriormente, segundo uma agenda legislativa atualizada da UE divulgada nesta terça-feira, 24. A proposta constaria do programa REPowerEU.
“Não tenho uma nova data para vos dar”, afirmou Anna-Kaisa Itkonen, porta-voz da Comissão para a energia, na manhã de terça-feira, segundo a EuroNews.
No âmbito do REPowerEU, o bloco já proibiu as importações de gás natural liquefeito (GNL) e canalizado da Rússia.
No evento Ceraweek, realizado em Houston, a Ministra da Economia e Energia da Alemanha, Katherina Reiche, disse nesta terça-feira que a escassez de energia poderá ocorrer no final de abril ou em maio se a guerra entre os EUA e Israel com o Irã não terminar. Ela acrescentou que a eliminação gradual da energia nuclear foi um grande erro e que o gás natural liquefeito dos EUA seria uma parte importante da solução.
Os desdobramentos da crise tendem a se agravar. A QatarEnergy anunciou na terça-feira que invocou a cláusula de força maior em alguns de seus contratos de longo prazo para o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) para a Itália, Bélgica, Coreia do Sul e China, em decorrência dos ataques com mísseis iranianos contra suas instalações, segundo a Al Jazeera.
No seu website, a empresa disse que os danos à instalação na cidade industrial de Ras Laffan custarão cerca de US$ 20 bilhões por ano em perda de receita e levarão até cinco anos para serem reparados, impactando o fornecimento para os mercados da Europa e da Ásia.
Na busca por soluções, o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, afirmou que cortes de impostos não aliviariam o choque energético da guerra com o Irã. Lescure disse que subsídios ou cortes de impostos alimentariam a inflação, em vez de impulsionar a economia.
A Irlanda, por sua vez, optou pelo corte do imposto especial de consumo sobre a gasolina e o diesel foi o caminho adotado em uma tentativa de ajudar a população a lidar com a volatilidade dos preços causada pela guerra no Oriente Médio. Segundo a BBC, a partir da meia-noite de quarta-feira até o final de maio, o imposto especial de consumo sobre o diesel será reduzido em 20 centavos por litro e o da gasolina em 15 centavos por litro. As propostas foram aprovadas pelo gabinete na terça-feira.
Na Moldávia, foi aprovada a imposição de um estado de emergência no setor energético por 60 dias, após ataques russos à rede elétrica da vizinha Ucrânia terem desconectado uma importante linha de transmissão que liga o país do Leste europeu à Romênia.
Os ataques levaram ao desligamento da linha de transmissão de alta tensão Isaccea-Vulcanesti, que liga o sul da Moldávia à Romênia, membro da UE. Após a interrupção, as autoridades moldavas instaram os cidadãos a consumir eletricidade de forma “racional” durante os horários de pico, enquanto os reparos eram realizados. O estado de emergência foi aprovado por 72 dos 101 parlamentares em sessão legislativa.

