Há 45 anos, Reagan foi baleado ao sair do mesmo hotel onde Trump foi alvo de ataque
O Washington Hilton, hotel alvo de uma ataque durante jantar de gala com o presidente Donald Trump, tem uma longa história presidencial. Conhecido por sediar o jantar de gala da Associação de Correspondentes da Casa Branca, o estabelecimento passou a investir em uma segurança ainda mais rigorosa por conta do histórico: há 45 anos, foi palco de uma tentativa de assassinato do presidente Ronald Reagan. À época, autoridades argumentaram que sua “proteção em múltiplas camadas” funcionou conforme o planejado.
Reagan foi baleado por John Hinckley em 30 de março de 1981 quando voltava para sua limusine após uma palestra. Ele ficou gravemente ferido. Hinckley acreditava que o ataque impressionaria a atriz Jodie Foster.
Após o incidente, o hotel realizou extensas modificações de segurança especificamente para acomodar o presidente, incluindo uma garagem segura projetada para a limusine presidencial, com acesso a um elevador e escada exclusivos para levá-los a uma suíte reservada para uso pessoal. A suíte inclui um banheiro privativo que o hotel tradicionalmente decora com monogramas.
Pessoas comuns costumam reservar quartos ou lotar o bar do lobby para assistir a eventos que atraem a elite de Washington e que também já contaram com a presença de celebridades como George Clooney e Kim Kardashian, além de apresentadores como Jimmy Kimmel e Trevor Noah.
Na noite deste sábado, 25, evento de gala que celebra a liberdade de imprensa foi interrompido por disparos que fizeram com que os convidados se jogassem no chão e que o presidente Donald Trump fosse evacuado pelo pessoal de segurança.
Acredita-se que o suspeito tenha conseguido ultrapassar a camada mais externa de segurança do evento por ser hóspede do hotel. Ele foi identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, de Torrance, Califórnia. Autoridades informaram que Allen estava armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas.
O esquema de segurança na era Trump
O hotel foi fechado ao público a partir das 14h de sábado, em antecipação ao jantar, que começou às 20h. Do lado de fora, dezenas de manifestantes se reuniram na chuva – a maioria direcionando suas críticas à imprensa presente no evento.
O acesso ao hotel foi restrito a hóspedes, pessoas com ingressos para o jantar, convites para uma das recepções realizadas no hotel antes ou depois do jantar, ou documentos da Associação de Correspondentes da Casa Branca que indicassem vínculo com o jantar.
Os 2.300 convidados do evento no amplo salão subterrâneo do hotel tiveram que passar por diversas verificações adicionais para entrar, incluindo a apresentação de ingressos para voluntários da associação e funcionários do hotel, além da passagem por detectores de metal operados pelo Serviço Secreto e pela Administração de Segurança de Transporte (TSA).
Não foi informado imediatamente o horário em que o suspeito fez o check-in no hotel. Imagens de câmeras de segurança divulgadas por Trump nas redes sociais logo após o incidente mostram o atirador correndo ao lado de agentes de segurança que parecem estar desmontando os detectores de metal. Uma vez que o presidente se acomodou no salão, outros convidados foram impedidos de entrar na área restrita, motivo pelo qual os detectores estavam sendo removidos.
“Isso demonstra que nosso sistema de proteção em múltiplas camadas funciona”, afirmou o diretor do Serviço Secreto, Sean Curran. Seus comentários foram corroborados por Carroll, que disse que o plano de segurança para a noite foi desenvolvido pelo Serviço Secreto e que “esse plano de segurança funcionou esta noite”.
Medidas adicionais durante o jantar
Dentro do salão, durante o jantar, foram implementadas medidas de segurança adicionais. O Serviço Secreto dos EUA manteve um perímetro adicional ao redor do presidente, incluindo uma área de segurança que o separava, juntamente com os demais convidados sentados à mesa principal, do restante dos presentes. Placas blindadas foram escondidas sob a mesa onde Trump estava sentado.
Agentes do Serviço Secreto estavam em seus postos em frente ao palco e nas laterais, como agentes de contra-ataque fortemente armados, prontos para responder a ameaças. Equipes de segurança para dezenas de outros convidados ilustres também estavam presentes no salão de baile.
Todos os anos, a Associação de Correspondentes da Casa Branca organiza um jantar para celebrar a liberdade de imprensa e a Primeira Emenda (que protege a liberdade de expressão nos Estados Unidos). Fundada em 1914, a associação representa cerca de mil jornalistas que cobrem a Casa Branca.
O evento atrai centenas de jornalistas, celebridades e políticos dos dois principais partidos. Há décadas, ele é realizado no Washington Hilton.
“Graças a Deus, ele (Trump), a primeira-dama e todos os que estavam participando do WHCD (jantar dos correspondentes) estão bem”, disse Weijia Jiang, presidente da associação e correspondente da CBS na Casa Branca, nas redes sociais.
Trump, que tem um relacionamento tenso com a mídia, já havia boicotado o evento anteriormente. O sábado marcou sua primeira aparição durante qualquer um de seus mandatos. Ele participou pela última vez em 2011, quando era estrela de reality show.
Ele disse que o jantar seria remarcado dentro de um mês. “Este era um evento dedicado à liberdade de expressão que deveria reunir membros de ambos os partidos com membros da imprensa. E, de certa forma, isso aconteceu”, disse Trump no sábado. “Vi uma sala que estava totalmente unida. De certa forma, foi muito bonito, uma coisa muito bonita de se ver.”
(Com agências internacionais)

