Ibovespa cai e tem perda quase geral na carteira após dado de inflação dos EUA mais forte
O Ibovespa abriu a sexta-feira, 20, estável, na máxima aos 188.520,96 pontos, mas logo foi para o campo negativo, enquanto esperava a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos do quarto trimestre e do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos EUA, que é a medida de inflação predileta do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Após saírem as informações sobre os dados, o principal indicador da B3 acentuou o ritmo de queda, abandonando até mesmo o nível dos 187 mil pontos.
Em Nova York, os índices futuros caem em menor magnitude do que o Ibovespa. Ainda hoje sairão o índice de sentimento do consumidor e expectativas de inflação da Universidade de Michigan de fevereiro, e PMIs. No Brasil a agenda de indicadores está esvaziada
Hoje, o vencimento de opções sobre ações na B3 atrai investidores. Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 1,35%, aos 188.534,42 pontos, acumulando ganho semanal de 1,11%. A elevação na véspera foi motivada especialmente pelos ganhos do petróleo, que opera em baixa nesta manhã no exterior, ganhos recentes.
Nos EUA, o PIB do país cresceu a uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre de 2025, ante projeção média de analistas de alta de 1,9%. Já o índice de preços de gastos com consumo, o PCE, subiu 0,4% em dezembro ante novembro (projeções: 0,3%) e avançou 2,9% em relação a dezembro de 2024, de previsão de 2,8%.
Segundo o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, o PIB dos EUA veio bem mais fraco do que esperado. “É uma desaceleração bem relevante dos 4,4% do terceiro trimestre. Pela abertura, dá para ver que foi o gasto de governo que puxou para baixo. Vale lembrar que os EUA tiveram o maior shutdown da história do país”, destaca.
Já em relação à aceleração do PCE, Cruz diz que o resultado mostra uma distância da inflação para a meta do Fed de 2%. Isso, estima, pode provocar uma revisão nas expectativas de cortes de juros para esse ano nos EUA.
“A medida de inflação mais acompanhada pelo Fed está mais distante da meta, e a aceleração do núcleo do PCE corrobora discursos de indefinição de convergência da inflação à meta. O Fed não deve mexer nos juros, por enquanto”, estima Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria.
Investidores monitoram as tensões entre EUA e Irã, em meio a sinais de a gestão do presidente norte-americano, Donald Trump, se prepara para atacar o país persa, diante do impasse em negociações sobre o programa nuclear de Teerã.
“É um fator de risco que não podemos ignorar. O governo iraniano ameaçou atacar bases americanas. Isso está mantendo o petróleo em patamares elevados (Brent acima de US$ 71, máxima de 6 meses). Se essa tensão escalar para um conflito militar efetivo, pode criar volatilidade e pressionar emergentes. Por enquanto, porém, o mercado está descartando esse cenário e focando nos dados econômicos”, diz Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
O caso do Banco Master também continua no radar de investidores. Uma semana depois de ter sido sorteado o novo relator das investigações sobre as fraudes da instituição, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça reduziu o nível de sigilo do caso e deu mais autonomia para a Polícia Federal conduzir as investigações.
Ainda na seara corporativa, a J&F Investimentos, dona da JBS, analisa adquirir o controle da CSN Cimentos. O negócio, considerando a totalidade das ações da companhia, é estimado em ao menos R$ 10 bilhões, incluindo dívidas. A operação faz parte do plano de venda de ativos para reduzir o endividamento líquido da CSN, próximo de R$ 40 bilhões. As ações da CSN (0,82%) é uma das sete que sobem dentre 85 papéis.
Às 11h23, o Ibovespa caía 0,70%, aos 187.251,41 pontos, ante recuo de 0,97%, na mínima em 186.700,34 pontos.

