Ibovespa cai quase 1%, aos 185,6 mil, com retomada do risco geopolítico

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Após o respiro antes do feriado de 1º de maio – quando obteve ganho de 1,39%, no que foi apenas a segunda alta em 11 sessões (agora 12) desde os recordes de 14 de abril -, o Ibovespa retomou a trilha de correção na abertura de semana, marcada por retomada da aversão a risco sobre o Oriente Médio.

Sem o apoio de Petrobras (ON -0,80%, PN +0,53%), o índice da B3 caiu 0,92% nesta segunda-feira, aos 185.600,12 pontos, com giro a R$ 26,4 bilhões. Na mínima do dia, foi a 185.537,58 pontos (-0,95%), saindo de abertura 187.317,55 e de máxima a 187.666,20 pontos. No ano, ainda avança 15,19%.

Nesta segunda-feira, ataques de drone vindos do Irã provocaram um incêndio de grandes proporções na Zona de Indústrias Petrolíferas de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. À tarde (no Brasil), o órgão de Gestão Nacional de Emergências, Crises e Desastres dos Emirados Árabes Unidos informou que sistemas de defesa aérea respondiam então a uma sexta ameaça de míssil.

Por sua vez, o almirante-chefe do Comando Central dos Estados Unidos, Brad Cooper, afirmou que helicópteros militares norte-americanos afundaram seis pequenas embarcações iranianas que tinham como alvo navios civis no Estreito de Ormuz, no que foi o mais recente teste ao cessar-fogo entre o Irã e os EUA.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã realizou ataques contra embarcações de países “não relacionados” à operação marítima americana no Estreito de Ormuz, incluindo um cargueiro da Coreia do Sul, em meio à escalada de tensões na região. Um navio de bandeira panamenha operado pela Coreia do Sul, no Estreito de Ormuz, explodiu e pegou fogo próximo à costa dos Emirados Árabes Unidos. O Irã também comunicou ter atingido um navio de guerra dos EUA para alertar contra sua entrada em Ormuz.

Em outro desdobramento do dia tenso na região, o centro militar de operações marítimas do Reino Unido relatou incidente a 36 milhas náuticas ao norte de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A embarcação de carga reportou um incêndio na casa de máquinas, cuja causa era a princípio desconhecida.

“Há muitas informações desencontradas, o que se reflete na aversão a risco, e em semana que traz muitos resultados corporativos, entre os quais de Itaú e Bradesco. Petróleo já transborda para inflação e juros, à medida que prossegue o conflito sem uma solução próxima”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Nesse contexto, na B3, entre as blue chips, apenas Petrobras PN evitou o sinal negativo – e, ainda assim, com desempenho aquém da alta acima de 5% nos contratos mais líquidos do Brent. Principal ação do Ibovespa, Vale ON caiu 3,10% e as perdas entre os maiores bancos chegaram a 2,12% (Bradesco PN) no fechamento. Na ponta ganhadora do Ibovespa, Prio (+5,65%), Minerva (+4,74%) e Braskem (+3,83%). No lado oposto, Hapvida (-7,18%), Cyrela (-4,98%) e MRV (-3,47%).

O petróleo WTI para junho, negociado em Nova York, fechou em alta de 4,29% (US$ 4,48), a US$ 106,42 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, em Londres, subiu 5,8% (US$ 6,27), a US$ 114,44 o barril. O Irã afirmou que irá interceptar à força qualquer embarcação que viole suas normas marítimas e voltou a advertir os Estados Unidos a não entrarem na região, após Washington anunciar que passará a “guiar” navios retidos.

“Há muito prêmio de risco nos contratos futuros de petróleo, mas quando vier uma descompressão a tendência é de que voltem muito rapidamente para a faixa de US$ 80 por barril, mas não para a de US$ 60, onde estavam antes do conflito”, diz Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, destacando certa resiliência do Brasil à tensão no Oriente Médio, por ser um exportador líquido da commodity.

Assim, mais do que a fatores domésticos, o comportamento dos ativos financeiros continua a ser guiado pelo que acontece no Estreito de Ormuz, com efeito não apenas para as ações e o petróleo, mas também para o câmbio e a curva de juros, com a busca dos investidores por proteção neste prolongado momento de tensão, que já dura mais de dois meses, pontua Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.

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Estadão

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