Ibovespa inicia o ano novo de forma neutra, após ganho de 34% em 2025
Nesta abertura de 2026, sem muitos catalisadores para os negócios em dia espremido entre o feriado de 1° de janeiro e o fim de semana, o Ibovespa opera colado à estabilidade, tendo retrocedido à linha de 160 mil pontos na mínima e se aproximado dos 162 mil no melhor momento, no início da sessão. No piso do dia, o índice foi conduzido abaixo pelo ajuste negativo de mais de 1% em Petrobras ON e PN, em linha com os preços do petróleo em Londres e Nova York. Principal ação do índice, Vale ON tem desempenho discreto, em torno da estabilidade (agora +0,11%).
Assim, o Ibovespa inicia o ano novo de forma neutra, após ganho de 34% em 2025, no que foi seu melhor desempenho em nove anos. O destaque nesta primeira etapa da sessão ficou com o setor financeiro, o de maior ponderação sobre o índice, o que contribui para o relativo equilíbrio do Ibovespa. Entre os maiores bancos, os ganhos chegam a cerca de 1% em Bradesco ON e PN. Na ponta ganhadora da referência da B3, Pão de Açúcar (+4,21%), SLC Agrícola (+2,69%)e RD Saúde (+1,96%). No lado oposto, Minerva (-4,86%), MBRF (-3,20%) e Direcional (-2,76%).
Na mínima, no fim da manhã, o Ibovespa marcava baixa de 0,37%, aos 160.528,14 pontos. Na máxima, pouco depois da abertura, foi aos 161.956,56 pontos.
“O início de pregão foi marcado por quedas mais intensas das empresas de frigoríficos, em reação ao que foi decidido pela China, da cota de 1 milhão e 100 mil toneladas [para a carne brasileira]. O Ministério do Comércio Exterior já mostrou que o Brasil mandou, até novembro, 1 milhão e 500”, diz Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos. “Acho que tem uma diferença bem grande em relação às tarifas dos Estados Unidos, e realmente não parece que é negociável. Essa decisão da China é algo mais pensado de forma estratégica para médio e longo prazo”, acrescenta Cruz.
Ele menciona que, no caso das questões tarifárias dos EUA, empresas como Minerva, JBS e Marfrig buscaram alternativas nos países vizinhos. “O Brasil começou a exportar carne para a Argentina, algo que ninguém imaginava faz muito tempo, o que concentrou a exportação da Argentina para os Estados Unidos”, diz o estrategista, ao se referir a um tipo de ajuste, ou redistribuição, que pode se repetir. “Podem fazer algo semelhante agora”, enfatiza Cruz, acrescentando que empresas do setor brasileiras têm plantas no Uruguai, Paraguai, Argentina, Austrália e nos próprios Estados Unidos, o que permitiria acessar cotas com as plantas de outros locais.
De qualquer forma, a decisão que chega da China sobre a carne é uma “notícia ruim” nesta virada de ano, pelo peso que o país asiático tem como parceiro comercial do Brasil, e maior destino para as exportações brasileiras em geral, apesar de alguma redistribuição ser possível, inclusive para mercados emergentes, destaca Cruz.

