Ibovespa opera indefinido, com cautela sobre juros externos e de olho em eleição no Brasil

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

No primeiro pregão de outubro, o Ibovespa opera indefinido. Chegou a subir 0,59%, na máxima a 187.436,73 pontos, em meio ao avanço do petróleo, principalmente. No entanto mudou de direção por volta das 11 horas, diante da piora das bolsas norte-americanas e queda de mais de 1% das ações da Vale.

Investidores monitoram com afinco dados e falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), em meio a sinais distintos sobre alta de juros nos Estados Unidos em outubro. No Brasil, a corrida presidencial gera ainda mais atenção a poucos dias do primeiro turno, no domingo.

“O Ibovespa volta para o zero a zero. Está uma balança muito estável. O cenário de eleição se aproximando traz volatilidade imensa”, afirma Gabriel Macarini, advisor sênior da Blue3 Investimentos.

Além da pesquisa Datafolha, prevista para a noite, saiu nesta manhã um levantamento da Real Time Big Data, que mantém o quadro de empate técnico em eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O mercado ainda espera o debate presidencial da TV Globo – do qual Lula não participará.

“Os ativos devem continuar dividindo o foco entre o ambiente internacional e as eleições”, diz Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria.

Divulgada nesta quinta-feira, pesquisa Real Time Big Data mostra Lula com 43% das intenções de voto para a Presidência, no primeiro turno, enquanto Flávio registra 39%. Os dois estão tecnicamente empatados. O equilíbrio se repete em uma eventual disputa de segundo turno, na qual o senador do PL tem 46% e o petista, 45%.

“Flávio abriu um ponto porcentual. O mercado acaba ficando mais otimista com isso”, afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

No exterior, Lopes cita o avanço do petróleo – o Brent sobe 3%, para US$ 101,25 pontos, diante de indefinição sobre o conflito no Oriente Médio. Reflete relatos de ataques recorrentes no Estreito de Ormuz, apesar do aumento dos embarques do Golfo Pérsico. A suspensão das exportações chinesas de derivados também reforça o risco de aperto na oferta global.

“Isso acaba fazendo bastante preço na Bolsa brasileira por conta de todo o peso que a Petrobras tem no índice”, explica o economista da Valor Investimentos.

Os juros dos Treasuries de 30 anos atingiram o maior nível em 24 anos nesta quinta-feira, perto de 5,7%, em meio à preocupação com inflação e à perspectiva de juros americanos mais altos por mais tempo. “Os juros dos títulos britânicos também estão altos. É o flight to quality. O estrangeiro deixa de olhar para emergentes e mira renda fixa de países desenvolvidos”, diz Macarini, advisor sênior da Blue3 Investimentos.

Ontem, o Índice Bovespa fechou em alta de 1,37%, aos 186.340,46 pontos, acumulando ganhos de 5,03% em setembro e de 8,32% no terceiro trimestre.

“Setembro fechou com o Ibovespa em alta, juros futuros e dólar em queda, um saldo que reflete sobretudo a mudança de percepção sobre a eleição”, segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.

Conforme Trevisan, o processo eleitoral continua influenciando a leitura do mercado sobre os ativos domésticos. “Há uma percepção de que o mercado atribui maior chance de vitória a Flávio Bolsonaro, e cada nova pesquisa acaba sendo lida como reforço ou como risco a esse cenário, disse.”

Às 11h13, o Índice Bovespa subia 0,01%, aos 186.229,26 pontos, ante alta de 0,59%, na máxima a 187.436,73 pontos, e mínima a 185.921,04 pontos (-0,23%), e abertura em 186.353,26 pontos (+0,01%).

Hoje não houve negociação do minério de ferro na Dalian Commodity Exchange, por causa do feriado do Dia Nacional da China, cujas celebrações durarão até 7 de outubro. As ações da Vale caíam 1,20% e as da Petrobras subiam 1%. Entre bancos, o sinal era de queda de até 3% (Unit de Santander).

PUBLICIDADE
Estadão

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo.