Ibovespa tem queda firme com risco de alta de juros nos EUA e de olho em eleição
Os investidores da B3 iniciaram a sessão avaliando o volume de serviços prestados no Brasil e o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. O CPI dita as apostas para os juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Ao mesmo tempo, o mercado financeiro espera a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1, prevista para hoje no Senado, e a pesquisa eleitoral Quaest, que sai após o encerramento dos negócios na Bolsa. Há queda quase generalizada na carteira teórica de 76 ações.
Após abrir na máxima a 206.881,00 pontos, o Ibovespa adotou uma série de mínimas, acompanhando a piora das bolsas em Nova York, após a divulgação do índice de preços ao consumidor, com alta de 3,7%, acima da esperada (3,6%) e superior aos 2% da meta do Federal Reserve.
Além disso, seguem no radar a disputa presidencial acirrada no Brasil. Também pesa a cautela com a expectativa de votação da PEC que acaba com a escala 6×1, bandeira do presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição.
Na terça-feira, o oponente de Lula, Flávio Bolsonaro (PL), que tem a preferência do mercado financeiro, recuou e disse que vai votar a favor da PEC hoje, no Senado.
Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o desempenho na B3 reflete a reação dos mercados em Nova York ao CPI dos EUA, que registrou alta acima da esperada em setembro ante o mesmo mês de 2025. “O mercado voltou a projetar mais uma alta de juros nos Estados Unidos. Juros dos Treasuries avançando no nível como o de hoje não há Bolsa que aguente”, diz.
Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 1,04%, aos 206.887,52 pontos, após tocar o nível inédito de 209 mil pontos na sexta-feira. Além do exterior, a correção foi atribuída por analistas à disputa presidencial acirrada.
O empate técnico entre Flávio e Lula nas pesquisas divulgadas eleva a incerteza sobre o segundo turno, o que limita a exposição a ativos de risco.
“Foi uma movimentação principalmente de realização de lucros, diante das últimas máximas históricas, e em meio à sensibilidade ao cenário eleitoral”, afirma Gabriel Cecco especialista da Valor Investimentos.
Hoje, segundo ele, a curva de juros nos EUA para cima acaba tendo maior efeito sobre os ativos. “Houve reação praticamente imediata”, diz. Conforme Cecco, outro assunto importante a se monitorar é a PEC que acaba com a escala 6×1
Sobre a PEC da escala 6×1, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que há assinaturas suficientes para a apreciação do requerimento de calendário especial para a proposta.
Após recuar e declarar publicamente que votará a favor da PEC do fim da escala 6×1, o senador do PL sinalizou a aliados e empresários que pretende rever pontos da proposta caso seja eleito.
Há pouco foi divulgado o volume de serviços prestados, que caiu 0,1% em agosto ante julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio pior do que a mediana das estimativas encontrada na pesquisa feita pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,5%, que iam queda de 0,5% a avanço de 1,3%. O dado mantém expectativas de novo recuo da taxa Selic no Comitê de Política Monetária (Copom) no mês que vem.
Às 11h34, o Ibovespa caía 1,15%, a 204.498,54 pontos, ante recuo de 1,65%, na mínima em 203.463,77 pontos, depois de abertura na máxima a 206.881,00 pontos.
De 76 ações, 8 subiam, caso de Petrobras, com elevação de cerca de 1%. Com juros futuros em alta, papéis mais sensíveis ao ciclo econômico, como varejistas (Magazine Luiza: -6,78%) e bancos recuavam com força. Unit de BTG Pactual, por exemplo, caía 3,89%. Já Vale perdia 1,34%, em meio ao recuo do minério.