iFood compra Caju e passa a ter três milhões de usuários na área de benefícios
O iFood Benefícios anunciou na terça-feira, 21, a compra da Caju, startup de benefícios corporativos e gestão de pessoas. A transação teria envolvido cerca de R$ 1 bilhão, conforme apurou o Estadão/Broadcast. Segundo a Prosus, dona do iFood, trata-se da maior aquisição já feita pela empresa.
As duas empresas vão combinar suas plataformas digitais que, juntas, passam a ter cerca de três milhões de usuários de benefícios corporativos – segmento que movimenta R$ 150 bilhões por ano, atende a mais de 22 milhões de trabalhadores e cerca de 470 mil empresas inscritas no PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador).
De acordo com o CEO do iFood Benefícios, Arthur Freitas, as duas empresas transacionam cerca de R$ 1,3 bilhão por mês cada uma. O iFood Benefícios reúne aproximadamente 1,7 milhão de usuários e 65 mil empresas clientes, enquanto a Caju atende 1,3 milhão de trabalhadores e mais de 70 mil empresas.
A Caju foi fundada em 2020, mesmo ano em que a divisão de benefícios do iFood. Ambas encabeçam o movimento de digitalização no mercado de vale-refeição e vale-alimentação. Desde a pandemia, novos entrantes, nativos digitais, buscaram a flexibilização da regulação para ganhar mercado dos players tradicionais.
No ano passado, o iFood havia tentado colocar em prática a estratégia de consolidar o mercado com a compra de uma destas empresas “da velha-guarda”: em julho de 2025, o Estadão/Broadcast noticiou que a companhia negociava a compra da Alelo, empresa de benefícios controlada por Banco do Brasil e Bradesco, em uma operação estimada entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões.
A Alelo é uma das grandes empresas do setor, ao lado da Ticket, VR e Pluxee. O negócio com o iFood não avançou.
Agora, a escolha da Caju está em linha com a estratégia de reforçar a característica digital dos benefícios, em contraponto aos sistemas das concorrentes, diz Freitas. Segundo ele, os sistemas para gestão de recursos humanos (RH) da Caju agregam mais eficiência aos clientes corporativos do iFood Benefícios, enquanto a rede de restaurantes conectados ao sistema de delivery e as promoções do aplicativo serão positivos aos usuários atuais da Caju.
Expansão
O anúncio também ocorre em meio ao ciclo de expansão dos negócios do iFood no Brasil. Em setembro, a companhia havia anunciado investimentos de R$ 24 bilhões no País no ano fiscal de 2027, 41% a mais que no período anterior. À época, a empresa informou que os recursos serão destinados ao fortalecimento da operação de entrega, à expansão para novas categorias de serviços, ao desenvolvimento de tecnologia própria e a soluções além do delivery.
O investimento na área de benefícios é parte da estratégia do iFood de diversificar os negócios. No ano fiscal de 2026, o negócio de entrega de refeições representou 45% das receitas da empresa. O objetivo é que categorias como fintech, com o iFood Pago, viagens e benefícios tenham fatias cada vez maiores.
O iFood teve receita de R$ 10,1 bilhões no ano fiscal de 2026. A compra da Caju ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.