Investidor da SpaceX e maior banco dos EUA: os parceiros do novo plano comercial da Fifa
O plano da Fifa de vender ações de uma nova empresa criada para administrar as competições da entidade já tem atores mobilizados para que o retorno financeiro esperado por Gianni Infantino seja concretizado. A base da concepção da Fifa Forward Enterprise (FFE) é formada por grupos americanos, das consultorias ao investidor já encaminhado até o momento.
Ainda restam algumas burocracias para a formalização, mas holding de capital permanente Thrive Eternal tem um acordo para liderar o grupo de acionistas minoritários da FFE. A Thrive tem cerca de 10% das ações do San Francisco Giants, tradicional equipe americana de beisebol, e pertence ao bilionário Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, por sua vez genro de Donald Trump.
Embora possua essa conexão com Trump, grande aliado de Infantino, Josh mantém algum distanciamento do presidente americano, afinal é conhecido por um longo histórico de apoio a candidatos democratas.
O empresário de 41 anos foi um dos primeiros investidores da SpaceX, organização de tecnologia e transporte aeroespacial fundada por Elon Musk, e da OpenAI, empresa de inteligência artificial criadora do ChatGPT. Também levou investimentos da Thrive Capital ao Nubank e ao Spotify
A holding tem em seu quadro outro renomado executivo americano. Bob Iger, que foi CEO da Disney por 18 anos e deixou o cargo neste ano, assumiu recentemente um posto de conselheiro na Thrive.
EXECUTIVO ENVOLVIDO COM A FÓRMULA 1
Outro americano está envolvido na consolidação da FFE. Greg Maffei, ex-CEO da Liberty Media durante o período em que a empresa adquiriu e controlou a Fórmula 1, atuará como “consultor estratégico” na estruturação da empresa da Fifa. Depois de 19 anos na Liberty Media, Maffei fundou a BANN Ventures, sua própria empresa de investimentos focada em esportes, mídia e entretenimento.
A entidade máxima do futebol mundial também contratou o J.P. Morgan, maior banco dos Estados Unidos, como principal consultor do projeto. A instituição trabalha em conjunto com a OpenEconomics, da Itália, única organização não americana envolvida na constituição da FFE até o momento. A empresa é especializada em avaliação de impacto, conformidade com financiamento público e modelagem econômico.
“O presidente da Fifa e a administração da entidade têm a responsabilidade de conduzir o desenvolvimento deste projeto. Investidores externos deterão apenas uma participação minoritária na FFE e não exercerão qualquer papel operacional. Além disso, o investimento é feito em uma subsidiária da FIFA, e não na própria Fifa. Para a Fifa, nada muda”, disse a Fifa no comunicado em que anunciou a nova empreitada.
DINHEIRO PARA AS CONFEDERAÇÕES
A Fifa oferece US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51 bilhões) para as 211 federações nacionais aprovarem o plano da FFe. Um montante opcional de US$ 20 milhões já seria dado pela Fifa para cada Associação Membro para projetos especiais do chamado Programa Fifa Fast-Forward (FFFP).
No planejamento divulgado , cada federação ainda receberia US$ 20 milhões no ciclo 2027-2030 (o valor atual é de U$ 8 milhões). Nos ciclos seguintes, as federações nacionais ganhariam US$ 22 milhões (2031/2034) e US$ 24 milhões (2035/2038).
A entidade informou que, se criada, a FFE captaria US$ 4,2 bilhões (o equivalente a R$ 21,5 bilhões) ainda este ano para financiar o Fifa Fast-Forward (FFFP). A entidade que regula o futebol no mundo fala em uma “seleção criteriosa de investidores” a longo prazo, que teriam as participações minoritárias, sem ter domínio sobre a FFE. Os lucros líquidos do braço comercial seriam investidos no desenvolvimento do futebol no planeta, segundo a Fifa.
