IPCA-15 abafa vozes pontuais por alta da Selic e leva apostas para novos cortes de 0,25 pp
A queda de 0,40% do IPCA-15 de agosto dá mais gás às projeções de que um novo corte da Selic deve ser a decisão a ser tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central às vésperas da eleição. E mais: começa a dar sinais de que o ciclo de afrouxamento monetário pode continuar em novembro, quando o resultado das urnas já tiver sido conhecido.
O quadro traçado pela inflação corrente, portanto, deixa em uma perspectiva mais distante as opiniões pontuais que começaram a surgir com mais força às vésperas do Copom de junho de que talvez fosse o momento de o colegiado inverter a tendência do ciclo e passar a contrair ainda mais a sua política. A curva de juros precifica hoje 88% de chance de um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros em setembro, contra 12% de manutenção. Para novembro, há 70% de chance de manutenção e 30% de mais uma redução de 0,25 pp da Selic.
Está claro, porém, que não se trata da formação de uma expectativa de que os próximos meses serão de céu de brigadeiro. Ao contrário. Há alguns obstáculos à manutenção da inflação sob controle previstos para a frente nos próximos meses. Além de o cenário externo ainda estar conturbado, as previsões de impacto do El Niño sobre os preços ainda estão difusas e majoritariamente com pouco impacto.
Há casas que avaliam que o impacto do fenômeno pode ser mais rigoroso sobre os preços agrícolas, os que defendem que o impacto não será linear num País com as dimensões continentais do Brasil e que, para algumas culturas, a menor quantidade prevista de chuva em alguns pontos pode até ser favorável. Há ainda analistas que já mudaram de opinião sobre os efeitos do fenômeno e que acreditam agora que ele pode não ser tão forte quanto o imaginado inicialmente.
No Questionário pré-Copom (QPC) de agosto, os entrevistados pelo BC apontaram que o efeito do fenômeno sobre o IPCA de 2026 foi estimado em 0,3 ponto porcentual e de 0,4 pp em 2027. Uma parcela desse efeito já foi incorporado, segundo as medianas: 0,2 ponto em 2026 e 0,2 ponto em 2027.
O resultado do IPCA-15 de agosto ficou no piso das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast e reforçou a perspectiva de desaceleração, com surpresas baixistas principalmente em alimentação no domicílio, passagens aéreas, produtos in natura e cigarros, enquanto a média dos núcleos também melhorou marginalmente.
A leitura do índice na quarta-feira, 26, começou a levar a algumas revisões para baixo do IPCA fechado de agosto, embora os serviços subjacentes continuem como principal ponto de atenção. Para os juros, o resultado mais benigno, somado à moderação recente da atividade, mantém o viés de aplicação no DI. Por isso, a avaliação atual é a de que o quadro favorece uma nova redução da Selic na próxima reunião, enquanto o mercado já começa a atribuir probabilidade relevante a outro corte na reunião seguinte. (Colaborou Caroline Aragaki)
