Iraque processará militantes do Estado Islâmico transferidos pela Síria em acordo com EUA
O Iraque processará e julgará os cerca de nove mil militantes do grupo Estado Islâmico (EI) acusados de terrorismo que estão sendo transferidos de prisões e campos de detenção na vizinha Síria para o país, em virtude de um acordo mediado pelos EUA, informou Bagdá neste domingo. O anúncio ocorreu após uma reunião de altos funcionários de segurança e políticos.
O exército americano iniciou o processo de transferência na sexta-feira e, no domingo, outros 125 prisioneiros do grupo foram transferidos, segundo dois oficiais de segurança iraquianos que falaram à Associated Press sob condição de anonimato. Até o momento, 275 prisioneiros chegaram ao Iraque, um processo que, segundo as autoridades, tem sido lento, já que Washington tem feito o transporte por via aérea.
A necessidade de transferi-los surgiu depois que as forças do governo sírio, ainda em formação, expulsaram, no mês passado, combatentes curdos sírios – outrora importantes aliados dos EUA na luta contra o EI – de áreas do nordeste da Síria que controlavam há anos e onde guardavam campos de prisioneiros do grupo. Tanto Damasco quanto Washington acolheram favoravelmente a oferta de Bagdá de transferir os prisioneiros para o Iraque.
As tropas sírias tomaram o campo de al-Hol – que abrigava famílias de militantes do EI – das mãos da força liderada pelos curdos, que se retirou como parte de um cessar-fogo. Agora, os confrontos entre o exército sírio e as Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas pelos curdos, reacenderam os temores de que o EI ative suas células adormecidas nessas áreas e que detentos do grupo escapem. O governo sírio, em seu acordo inicial com os curdos, afirmou que assumiria a responsabilidade pelos prisioneiros do EI.
Bagdá tem se preocupado particularmente com a possibilidade de que os detentos do EI que escaparam se reagrupem e ameacem a segurança do Iraque e sua região na extensa fronteira entre a Síria e o Iraque.

