Israel alerta que os ataques contra o Irã vão se intensificar e se expandir
Israel ameaçou “intensificar e expandir” seus ataques contra o Irã nesta sexta-feira, 27, mesmo com o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmando que as negociações para o fim da guerra estavam indo bem e dando a Teerã mais tempo para abrir o Estreito de Ormuz. O Irã, por sua vez, não deu sinais de recuar.
Com os mercados de ações em queda e as consequências econômicas da guerra se estendendo muito além do Oriente Médio, Trump está sob crescente pressão para acabar com o domínio do Irã sobre o estreito, uma via navegável estratégica por onde normalmente passa um quinto do petróleo mundial.
O Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo de 15 pontos dos EUA que incluía a renúncia ao controle do estreito, mas, ao mesmo tempo, ordenou o envio de milhares de soldados adicionais para a região – possivelmente em preparação para uma tentativa militar de retomar o controle da hidrovia do Irã.
Trump afirmou que, se o Irã não reabrir o estreito para todo o tráfego até 6 de abril, ele ordenará a destruição das usinas de energia iranianas. Na quinta-feira, 26, ele disse que as negociações para pôr fim ao conflito estavam indo “muito bem”. O Irã mantém a posição de que não está envolvido em nenhuma negociação.
Israel mira a produção de armas do Irã e a capital libanesa
Sirenes de alerta aéreo soaram em Israel e os militares disseram que vêm interceptando mísseis iranianos diariamente. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o Irã “pagará um preço alto e cada vez maior por esse crime de guerra”.
“Apesar dos avisos, os disparos continuam”, disse Katz. “E, portanto, os ataques no Irã irão se intensificar e se expandir para alvos e áreas adicionais que auxiliam o regime na construção e operação de armas contra cidadãos israelenses.”
As Forças Armadas de Israel afirmaram que seus ataques desta sexta-feira tiveram como alvo instalações “no coração de Teerã”, onde mísseis balísticos e outras armas são produzidos. Acrescentaram que também atingiram lançadores e depósitos de mísseis no oeste do Irã.
Fumaça subiu sobre Beirute após um ataque antes do amanhecer, e o Ministério da Saúde do Líbano informou posteriormente que duas pessoas morreram.
Irã lança mísseis e drones contra seus vizinhos árabes do Golfo
O Ministério da Defesa da Arábia Saudita afirmou ter abatido mísseis e drones que tinham como alvo a capital, Riade.
O Kuwait afirmou que seu porto de Shuwaikh, na Cidade do Kuwait, e o porto de Mubarak Al Kabeer, ao norte, que está em construção como parte da iniciativa chinesa, sofreram “danos materiais” em ataques.
Ao que tudo indica, esta foi uma das primeiras vezes que um projeto ligado à China nos estados árabes do Golfo foi alvo de ataques durante a guerra. A China continua comprando petróleo bruto iraniano.
As ações americanas abriram em queda, nesta sexta-feira, registrando a quinta semana consecutiva de perdas – a maior sequência negativa em Wall Street em quase quatro anos.
O índice S&P 500 recuou 0,4% no início do pregão, realizado nesta sexta-feira. O Dow Jones perdeu 0,6% e o Nasdaq caiu 0,6%, interrompendo o padrão semanal de oscilações entre ganhos e perdas, em meio à oscilação das esperanças de um fim para a guerra.
As ações asiáticas também caíram, nesta sexta-feira, devido às crescentes dúvidas sobre as chances de uma desescalada. Os preços do petróleo voltaram a subir, com o Brent, referência internacional, cotado a US$ 107 o barril nas negociações desta manhã, uma alta de mais de 45% desde que Israel e os EUA atacaram o Irã em 28 de fevereiro, dando início à guerra.
EUA pressionam por uma solução diplomática, enquanto enviam mais tropas para a região
O controle exercido pelo Irã sobre a navegação no Estreito de Ormuz aumentou as preocupações com uma crise energética global e parece fazer parte de uma estratégia para pressionar os EUA a recuarem, desestabilizando a economia mundial. Um bloco árabe do Golfo afirmou na quinta-feira que o Irã tem cobrado pedágio dos navios para garantir a passagem segura.
O enviado de Trump, Steve Witkoff, afirmou que Washington entregou ao Irã uma “lista de ações” de 15 pontos para um possível cessar-fogo, utilizando o Paquistão como intermediário. A lista propõe restringir o programa nuclear iraniano e reabrir o Estreito de Ormuz.
O Irã rejeitou a oferta dos EUA e apresentou sua própria proposta de cinco pontos, que incluía reparações e o reconhecimento de sua soberania sobre o estreito vital.
Diplomatas de vários países tentaram organizar um encontro direto entre enviados dos EUA e do Irã, possivelmente no Paquistão.
O Ministério das Relações Exteriores do Egito afirmou em comunicado, nesta sexta-feira, que o Ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, conversou por telefone com seus homólogos turco e paquistanês como parte de “esforços intensivos” para organizar as negociações.
Abdelatty disse que esperavam “esforços graduais de desescalada que, em última análise, levassem ao fim da guerra”.
Entretanto, navios americanos se aproximaram da região transportando cerca de 2.500 fuzileiros navais, e pelo menos 1.000 paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada – treinados para desembarcar em território hostil a fim de garantir posições-chave e aeródromos – receberam ordens para se deslocarem ao Oriente Médio.
O Conselho de Segurança da ONU realizará uma consulta fechada sobre o Irã, nesta sexta-feira, de acordo com dois diplomatas da ONU que falaram sob condição de anonimato, pois a reunião não é pública. Eles disseram que a Rússia solicitou a reunião e que os EUA – que detêm a presidência do Conselho de Segurança – a agendaram.
Jan Egeland, secretário-geral do Conselho Norueguês para Refugiados, afirmou que suas equipes no Irã relataram que “inúmeras casas, hospitais e escolas foram danificados ou destruídos” e que quase todos os bairros de Teerã sofreram danos.
“Os civis estão pagando o preço mais alto por esta guerra – ela precisa acabar”, disse Egeland, em um comunicado.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU afirmou, nesta sexta-feira, que 82 mil edifícios civis no Irã, incluindo hospitais e as casas de 180 mil pessoas, foram danificados.
“Se esta guerra continuar, corremos o risco de um desastre humanitário muito maior”, disse Egeland. “Milhões de pessoas poderão ser forçadas a fugir para além das fronteiras, exercendo uma pressão imensa sobre uma região já sobrecarregada.”
Israel enviou a 162ª Divisão para o sul do Líbano para apoiar os esforços de proteção das cidades fronteiriças do norte contra ataques do Hezbollah e para erradicar o grupo militante, informou o exército.
Número de mortos aumenta, principalmente no Irã e no Líbano
Dezoito pessoas morreram em Israel, enquanto quatro soldados israelenses foram mortos no Líbano. Dois soldados israelenses ficaram gravemente feridos no Líbano, nesta sexta-feira, durante um “acidente operacional”, informou o Exército.
As autoridades informaram que mais de 1.100 pessoas morreram no Líbano e mais de 1.900 foram mortas no Irã.
Pelo menos 13 soldados americanos foram mortos, além de quatro pessoas na Cisjordânia ocupada e 20 em países árabes do Golfo.
No Iraque, onde grupos paramilitares apoiados pelo Irã entraram no conflito, 80 membros das forças de segurança morreram. (Fonte: Associated Press).

