Itaú/Gonçalves: Câmbio e mercado de trabalho serão chave para tamanho do corte na Selic
A decisão sobre a intensidade do corte na Selic em março não será tomada tão cedo pelos diretores do Banco Central, segundo avaliação do superintendente de pesquisa econômica do Itaú, Fernando Gonçalves. Para ele, o comportamento de duas variáveis serão chave para a definição de uma redução de 0,25 ponto porcentual, ou de 0,50 ponto no juro: o câmbio e a taxa de desemprego.
“Muita coisa pode acontecer daqui até a próxima reunião. E, nesse sentido, acho que o mercado vai ter dificuldade de precificar o tamanho do corte. O mercado deve ficar no intermediário, entre essas duas possibilidades”, detalha o economista.
Para Gonçalves, um cenário em que o câmbio se consolida no atual nível, na casa de R$ 5,20 por dólar, “dá mais certeza” ao BC sobre o início do ciclo de cortes, mas não deve, necessariamente, significar que a redução inicial no juro deva ser já de 0,50 ponto.
“Supondo um câmbio em torno de onde ele está hoje, ainda assim será necessário outras evidências ligadas ao mercado de trabalho para o comitê se sentir confiante em cortar em 0,50 ponto”, avalia. “Teremos ainda nesta semana a divulgação de Pnad e Caged, que vão ser muito relevantes. Vamos lembrar que, no final de dezembro, os dados do mercado de trabalho foram um gatilho importante para o mercado diminuir as apostas para cortes na Selic em janeiro”, complementa.
Ainda sobre o câmbio, Gonçalves aponta que a projeção utilizada pelo modelo do BC foi a de um dólar a R$ 5,35. Caso a cotação adotada fosse mais próxima da atual, de R$ 5,20, a projeção de inflação da autoridade monetária para o horizonte relevante teria caído, de 3,2% para 3,1%.
Por ora, o Itaú mantém o call de corte de 0,25 ponto no juro em março, com previsão de que a Selic chegue a 12,75% no fim do atual ciclo de afrouxamento.
No comunicado do BC divulgado há pouco, que se seguiu à decisão de manter a Selic em 15%, a autoridade monetária pontuou que, em se confirmando o cenário esperado, o comitê antevê o início da flexibilização monetária em março sem, no entanto, fazer qualquer referência explícita ao ritmo de cortes.
Gonçalves avalia que esse guidance dado pelo BC foi bastante útil, embora possa ser considerado surpreendente, uma vez que o próprio BC já havia sinalizado em outras oportunidades que “não precisa dar seta”, antes de fazer qualquer movimento.

