Juiz sequestrado em SP já havia sido alvo do mesmo crime em 2021; entenda investigação
A Polícia Civil de São Paulo afirma que o juiz Samuel de Oliveira Magro – que foi liberado do cativeiro na manhã desta terça-feira, 20 – não foi vítima de rapto planejado, mas de um crime de oportunidade. E não foi a primeira vez: Magro já havia sido sequestrado em 2021.
Conforme Arthur Dian, delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, foi um crime patrimonial e não tinha envolvimento com o fato de ele ser auditor fiscal. Cinco adultos e um adolescente foram detidos por suspeita de envolvimento no sequestro-relâmpago.
Magro é juiz do Tribunal de Impostos e Taxas (TIT), órgão administrativo responsável por julgar conflitos tributários entre contribuintes e o Fisco estadual, vinculado à Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz).
Já rendido, no cativeiro, ele recebeu uma ligação do companheiro. “O auditor tinha um código com o companheiro, para avisar que ele estava em risco. Ele usou esse código e o companheiro chamou a polícia”, afirma Dian. A palavra-chave, porém, não foi revelada pelas autoridades.
Ele foi resgatado pela Polícia Civil por volta das 6h desta terça-feira, 20, após passar mais de 30 horas como refém em um cativeiro em Osasco, na região metropolitana de São Paulo.
Os relatos são de que Magro ainda está traumatizado. A vítima não foi agredida fisicamente, mas foi coagida, de acordo com delegado-geral.
“A Divisão Antisequestro conseguiu prender quatro indivíduos, estourar o cativeiro e soltar a vítima. Alguns dos integrantes da quadrilha já tinham passagem (pela polícia). Temos também um menor de idade nessa quadrilha (que foi apreendido)”, disse Dian. Posteriormente, um quinto homem foi detido.
A polícia investiga a participação de mais criminosos na quadrilha.
Magro foi sequestrado na noite de domingo, 18, na Avenida Rebouças, no Jardim América, bairro nobre da zona oeste de São Paulo. Ele foi abordado por volta de 20h36 por uma dupla. Ainda está sendo verificado por meio de imagens de câmeras de segurança como foi feita abordagem. “Houve tentativas de transferências de dinheiro, que não foram concluídas”, disse Dian.
Vítima de sequestro do golpe do amor em 2021
Conforme Fabio Nelson, diretor da Divisão Antissequestro (DAS) de São Paulo, em 2021, Magro foi vítima de sequestro do golpe do amor. “Achava que ia para um encontro e sofreu golpe”, afirmou Nelson.
Naquela época, eram frequentes os casos de sequestro-relâmpago de vítimas que haviam agendado encontro por meio de aplicativo de namoro.
Normalmente, o refém era mantido por horas em cativeiro perto do local de abordagem, enquanto a quadrilha realizava transações bancárias. Depois, a vítima era solta em áreas mais afastadas.
Os golpes desse tipo e a facilidade de transferências por meio do Pix fizeram que, em 2022, o número de sequestros no Estado de São Paulo foi o maior em 15 anos.

