Juros: taxas inicam 1ª sessão de 2026 em queda, em sintonia com exterior e com dólar
Os contratos de depósito interfinanceiro (DI) iniciaram a primeira sessão de 2026 com viés de baixa, seguindo o tom negativo dos rendimentos dos Treasuries. A liquidez promete ser reduzida, em meio à agenda esvaziada de indicadores e enquanto muitos investidores estenderam a folga de ano-novo e ainda não retomaram os negócios.
O movimento ocorre ao mesmo tempo em que o dólar à vista renovava mínima em R$ 5,4315 (-1,04%), por volta das 10h desta sexta-feira, 2, diante do apetite mundial por risco, em meio ao otimismo com inteligência artificial e perspectiva de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). “Lá fora, os juros dos Treasuries começaram em alta e agora estão se ajustando em queda”, pontua Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
No foco nesta sexta-feira, estão os índices de gerentes de compras (PMIs) da indústria europeia e americana, bem como a imposição de tarifa pela China à carne bovina brasileira. Além disso, investidores digerem o início da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, válido a partir de ontem.
Outro ponto de atenção é o início do aumento em R$ 0,10 da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o litro de gasolina e etanol, definida no fim de setembro de 2025 por governos estaduais. Com o aumento, o impacto previsto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano é de até 0,10 ponto porcentual, segundo analistas. Além disso, o salário mínimo passa por um reajuste de 6,79%, subindo de R$ 1.518 para R$ 1.621.
O noticiário político ainda atrai olhares de investidores, em meio à prisão de Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), feita hoje pela Polícia Federal. No mês passado, Martins foi condenado a 21 de anos de prisão por participação na trama golpista após as eleições de 2022.
Ao mesmo tempo fica no radar a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 com 26 vetos a trechos aprovados pelo Congresso. Entre os principais pontos barrados está a correção do Fundo Partidário, desde 2016, o que geraria um impacto de R$ 160 milhões, segundo técnicos do Orçamento.
“O governo indicando que fechará as contas de 2025 na meta, é um indicativo de responsabilidade fiscal, de manutenção do arcabouço fiscal”, avalia Praça, da Zero Markets Brasil.
Na última sessão de 2025, na terça-feira, 30, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 encerrou a 13,795% e atingiu 13,803% no ajuste naquele dia. O DI para janeiro de 2029 fechou em 13,180% e foi a 13,192% no ajuste, enquanto o DI para janeiro de 2031 terminou em 13,445% e foi a 13,472% (ajuste).
Por volta das 10h desta sexta, o DI para janeiro de 2025 cedia a 13,755%, ante mínima em 13,735% (ajuste: 13,803%); o DI para janeiro de 2029 recuava a 13,100%, após mínima de 13,08% (ajuste: 13,192%) e o DI para janeiro de 2031 tinha 13,345%, após taxa mínima de 13,30% e ajuste em 13,472%.

