Justiça dos EUA rejeita ações de agressão sexual contra Neil Gaiman
Esta semana, a Justiça federal dos Estados Unidos rejeitou as três ações que acusavam o escritor britânico Neil Gaiman e sua então esposa, a musicista Amanda Palmer, de abuso sexual.
Segundo a Associated Press, as decisões se referem a processos movidos pela então babá Scarlett Pavlovich, que acusa o escritor de múltiplas agressões enquanto trabalhava para ele e sua esposa. Ela ainda acusava o autor de coerção e tráfico humano.
Scarlett entrou com uma ação no estado americano de Wisconsin em fevereiro de 2025 e apresentou, no mesmo dia, processos contra Amanda nos estados de Massachusetts e Nova York. Em maio, ela retirou a parte da ação de Wisconsin que envolvia a esposa de Gaiman.
A decisão da Justiça não analisa o mérito das acusações, mas conclui que os tribunais americanos não têm jurisdição sobre o caso, que deveria ser tratado na Nova Zelândia, onde os fatos teriam ocorrido. Na última sexta-feira, 6, o juiz distrital Nathaniel Gorton, de Boston, rejeitou a ação em Massachusetts com base no mesmo argumento.
No início do mês, Gaiman retornou às redes sociais para novamente negar as alegações. Além das acusações de Pavlovich, outras 7 mulheres também já o acusaram publicamente de assédio, coerção e abuso sexual.
Ele disse se tratar de uma “campanha difamatória” e acusou a imprensa de ignorar “montanhas de evidências” nas apurações. Foi a primeira vez em quase um ano que ele se pronunciou sobre o assunto.
Novo Livro
No mesmo pronunciamento, o autor de Sandman e Deuses Americanos aproveitou para anunciar um novo livro.
“Achei que seria um projeto relativamente curto quando comecei, mas tudo indica que vai acabar sendo a maior coisa que já fiz desde Deuses Americanos. Já está muito mais longo do que O Oceano no Fim do Caminho“, escreveu.
Entenda o caso
Em fevereiro de 2025, Pavlovich entrou com o processo em três estados dos Estados Unidos, alegando que, enquanto trabalhava como babá para o casal, foi vítima de violência sexual repetidas vezes e mantida como “escrava sexual”. Ela afirma que a imagem pública de Gaiman como defensor de causas feministas a fez acreditar que ele era uma pessoa confiável.
Pavlovich acusa o autor de tê-la agredido sexualmente na noite em que se conheceram, em fevereiro de 2022 e que os abusos continuaram. Ela sustenta que permaneceu no emprego por falta de recursos e porque o escritor teria prometido ajudá-la em sua carreira literária.
A ex-babá afirma ainda que Palmer tinha conhecimento do comportamento do marido e a teria exposto deliberadamente a ele. Ela pediu indenização de ao menos 7 milhões de dólares, cerca de R$ 36 milhões.
As acusações contra Gaiman começaram a vir à tona no final de 2024. Em janeiro de 2025, uma reportagem da New York Magazine trouxe mais detalhes sobre a conduta do escritor, relatando denúncias de oito mulheres.
Diante das acusações, Gaiman se manifestou publicamente em seu blog pessoal, negando qualquer envolvimento em atividades sexuais não consensuais. “Estou longe de ser uma pessoa perfeita, mas nunca me envolvi em atividade sexual não consensual com ninguém. Nunca”, declarou.
Mesmo assim, as acusações tiveram repercussões diretas na carreira de do autor. Produções como Good Omens (Prime Video), Garotos Detetives Mortos e Sandman (ambas da Netflix), séries que adaptavam as obras do autor, foram encerradas prematuramente no streaming.
Outro caso
Em abril de 2025, o próprio Gaiman abriu um processo contra Caroline Wallner, ceramista que o acusou de abuso sexual enquanto morava na casa do escritor e trabalhava como zeladora.
Ele pediu 500 mil dólares (R$ 2,6 milhões) alegando que Wallner quebrou o acordo de confidencialidade firmado entre os dois há três anos. Como parte do acerto, o escritor pagou 275 mil dólares (R$ 1,4 milhão) à ceramista, que ficou impedida de processá-lo ou relatar publicamente o que viveu.

