Lagarde alerta para efeitos do choque da energia na inflação e descarta candidatura na França
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta quarta-feira que a inflação tem subido “predominantemente” por causa dos preços de energia e que a escalada do conflito no Oriente Médio impõe uma “enorme pressão” sobre a oferta e o transporte de petróleo e gás. A dirigente também citou a guerra da Rússia contra a Ucrânia como fator de estresse adicional, ao pressionar capacidades de refino.
Em participação no evento CNN Global Perspectives, realizado em Bangcoc, em paralelo às Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI), Lagarde disse que o BCE ainda não observa efeitos de segunda ordem na inflação, mas monitora sinais e “índices” que possam demonstrar repasses persistentes, sobretudo via salários. O risco desses efeitos é que, quando ficam totalmente visíveis, “já é tarde para agir”, segundo a presidente do BCE.
Lagarde reiterou que a política monetária europeia permanece dependente de dados e será calibrada a cada reunião, com foco em atingir a meta de inflação de 2% no médio prazo. Questionada sobre tensões nos mercados de títulos e riscos fiscais, Lagarde afirmou que o fenômeno não é exclusivo da Europa e que, no caso da França, a “primeira solução passa por políticas fiscais domésticas”.
Sobre a estratégia de comunicação do BCE, a presidente da instituição disse que, nas circunstâncias atuais, a orientação futura “não ajuda” e que o principal instrumento são os juros.
Presidência da França
Ao ser perguntada se pretende concorrer à Presidência da França, Lagarde foi direta: “Não”. E completou: “Sou uma banqueira central e não vou sair da minha área enquanto eu for uma banqueira central”.
Em outro painel do mesmo evento, a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, disse que os gargalos no comércio atingiram o pior nível nos 80 anos de história da entidade, embora os números apontem certa resiliência. Segundo Okonjo-Iweala, 72% do comércio mundial ainda ocorre sob regras globais da OMC, porque empresas buscam previsibilidade.
A dirigente acrescentou que o crescimento do comércio de mercadorias ficou em 3,5% no primeiro semestre, acima do projetado, e que a OMC elevou para 3,9% a previsão de alta no ano – em grande parte graças ao avanço da inteligência artificial, que correspondeu por metade do aumento neste ano.
Já o presidente do Banco da Coreia (BoK), Shin Hyun-song, apontou que o ciclo de investimentos ligado à inteligência artifical tem potencial para superar choques negativos de curto prazo e citou projeções de mais de US$ 1 trilhão em aportes nos próximos três a quatro anos. Para o chefe do banco central sul-coreano, o ponto central é medir por quanto tempo o boom de investimentos sustentará o comércio global e a atividade da economia do país, em meio à incerteza geopolítica.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado