Lagarde alerta para riscos de baixa ao crescimento e de alta à inflação na zona do euro
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta quinta-feira, 29, que dados recentes sugerem que a economia da zona do euro continuou a se expandir no terceiro trimestre, mas destacou que a alta dos preços de energia afetou a confiança do consumidor. Falando em coletiva de imprensa após a decisão do BCE de manter os juros inalterados, Lagarde disse que a deterioração do sentimento pode reduzir a demanda.
Na avaliação da dirigente, o crescimento deve permanecer sustentado no curto prazo, mas os riscos para a atividade estão “inclinados para baixo”. Ela defendeu que investimentos em inteligência artificial (IA) e gastos governamentais são necessários para impulsionar o crescimento.
Lagarde afirmou ainda que os indicadores de inflação subjacente, em geral, permaneceram estáveis, mas alertou que os riscos para a inflação estão inclinados para cima, em parte devido aos conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu. Segundo ela, eventos climáticos extremos, como o El Niño, também podem pressionar a inflação de alimentos.
A presidente do BCE disse também que a inflação pode desacelerar se houver uma resolução para a guerra e que uma queda subsequente dos preços de energia tende a reduzir a inflação cheia. Nesse contexto, Lagarde observou que a maioria dos indicadores de expectativas de inflação de longo prazo está próxima da meta de 2%, embora os preços do diesel e do petróleo tenham alcançado novos picos em setembro.
Ela acrescentou que as pressões salariais seguem moderadas na zona do euro e que o indicador salarial do BCE aponta crescimento entre 2,5% e 2,8% nos meses restantes de 2026.
Lagarde também ressaltou que a estabilidade fiscal é uma âncora crucial para a economia, mas advertiu que a incerteza fiscal pode tornar as condições financeiras ainda mais restritivas. “As condições financeiras ficaram mais restritivas desde nossa última reunião”, afirmou.