Lula: ‘Chegaremos a US$ 30 bilhões em fluxo comercial com Índia em 2030’

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que estabeleceu junto com o presidente da Índia, Narendra Modi, o desafio de os países alcançarem US$ 30 bilhões em fluxo comércio até 2030. Em 2025, o fluxo comercial entre os países foi de US$ 15,2 bilhões. “Quando eu vim aqui pela primeira vez, o comércio Brasil-Índia era de apenas US$ 2,4 bilhões, chegou agora a US$ 15 bilhões, o que é muito pouco para duas economias razoavelmente grandes. Eu disse a Modi que vamos chegar a US$ 30 bilhões em 2030, porque o potencial econômico dos dois países é muito forte e a necessidade da Nova Indústria Brasil é mais forte ainda”, disse Lula em coletiva de imprensa em Nova Délhi. O presidente encerrou neste domingo a missão ao país, iniciada na última quarta-feira.

Lula destacou na coletiva que os países possuem muitas similaridades e demandas em comum. “Nós somos dois necessitados. Ninguém é superior a ninguém”, apontou mencionando a construção de planos de ação, metas e parcerias entre os países. “Ou seja, não existe o tom da supremacia, o tom do maior, o tom do grande. É a política dos iguais. Isso é que me dá muito prazer e muito otimismo”, destacou Lula.

O presidente mencionou ainda que os países firmaram sete acordos na área da saúde. “O SUS oferece ao Brasil a oportunidade de ser um dos mais extraordinários mercados consumidores, não apenas de remédio, mas também de máquinas modernas para reparar e descobrir novas doenças na humanidade. E tudo isso vai precisar de convênios, com a Índia, com a China, com os Estados Unidos, com os países europeus”, apontou Lula ao destacar que o Brasil “não tem preferência comercial”.

Segundo o presidente, na agenda bilateral com Modi, apenas assuntos relacionados aos países foram tratados, sem entrar em detalhes sobre a geopolítica internacional. “Sei o que a Índia pensa sobre determinados problemas e sei o que o Brasil pensa. Discutimos aquilo que nos une: o que nos une nesse instante é a nossa briga para que as nossas economias sejam fortalecidas e (possamos) sair da situação que a gente se encontra”, afirmou Lula. “Nós queremos nos transformar em países altamente desenvolvidos. Não discutimos nenhum problema que fosse polêmico entre nós dois, porque eu não vim aqui para discutir a divergência, eu vim aqui para discutir a confluência entre Brasil e Índia”, acrescentou, mencionando ter afinidade com Modi.

Lula disse ainda não ter comentado com Modi sobre o acordo feito pela Índia com os Estados Unidos. “É um problema dele. Assim como qualquer acordo que fizermos é um problema meu”, refutou. Ele classificou a conversa com o líder indiano como “extraordinária”, citando acordos entre ministérios, parcerias em inteligência artificial e busca por investimentos empresariais. “Estou conversando com empresários que têm investimentos no Brasil e todos eles dizem que vão fazer mais investimentos. São muito otimistas em relação a investimentos”, apontou.

Durante a missão presidencial à Índia, os países firmaram acordos de cooperação nas áreas de defesa, aviação civil e militar, comércio, investimentos, saúde, indústria farmacêutica, ciência e tecnologias digitais, energia, minerais críticos, cooperação espacial, educação e cultura. “Essa minha vinda à Índia é o marco de uma nova relação entre Brasil e Índia. A tendência natural é melhorar e muito a nossa relação com a Índia, em todos os aspectos, inclusive com investimentos brasileiros aqui, na área de inteligência artificial, com investimentos deles no Brasil, com parceria entre as nossas universidades, entre os nossos ministérios. Nós somos os irmãos democráticos do Sul Global mais importantes e nós precisamos dar exemplo”, destacou o presidente.

Ao todo, 11 acordos governamentais foram assinados, segundo o Ministério das Relações Exteriores, como instrumentos nas áreas dos minerais críticos, propriedade intelectual, saúde, serviços postais, empreendedorismo e certificados de origem. Outros três entendimentos público-privados entre universidades, fundações e outros entes governamentais foram acertados.

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Estadão

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