Mãe de Deolane movimentou R$ 7 mi e comprou Land Rover com renda mensal de R$ 800, diz Coaf

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O suposto esquema atribuído à advogada Deolane Bezerra dos Santos para lavar “um oceano de dinheiro” da cúpula do PCC teria como um dos principais sustentáculos o uso das contas bancárias de Solange Alves Bezerra dos Santos, mãe da influenciadora. É o que apontam quatro Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Os documentos indicam que com uma renda mensal declarada de R$ 800, Solange solicitou, em novembro de 2023, a reserva de R$ 500 mil para saque em uma agência bancária, em São Paulo. O pedido foi registrado no dia 22, com retirada prevista para o dia 27.

O Estadão busca contato com Solange Bezerra e pediu manifestação da defesa de Deolane. O espaço está aberto.

As informações foram reunidas nos relatórios do Coaf – unidade de inteligência financeira atrelada ao Ministério da Fazenda – a pedido da Polícia Civil de São Paulo. Os quatro relatórios foram analisados pelo Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD).

Deolane está presa desde 21 de maio na Penitenciária de Tupi Paulista, no interior do Estado, a 600 quilômetros da capital. Ela é o alvo principal da Operação Vérnix, deflagrada pela Delegacia Seccional da Polícia Civil de Presidente Venceslau e pelo Ministério Público.

“As comparações demonstram níveis distintos de desproporção”, avaliam os técnicos. Um relatório de inteligência, de 42 páginas, sustenta que ‘o resultado mais expressivo recai sobre Solange Alves Bezerra Santos, cujos créditos superaram em centenas de vezes a renda acumulada informada para dois períodos específicos’.

O provisionamento corresponde a 625 vezes o primeiro parâmetro mensal, pontuam os analistas.

Além do pedido de saque de R$ 500 mil, Solange aparece em 15 comunicações financeiras que somam R$ 7,3 milhões em entradas e R$ 7,1 milhões em saídas de recursos. O giro milionário despertou a atenção dos investigadores diante da renda de Solange e um patrimônio imobiliário de R$ 50 mil.

Os relatórios apontam movimentações suspeitas, como a rápida transferência de valores entre contas, uma aplicação de R$ 250 mil em CDB e a apreensão de um veículo sob suspeita de ter sido comprado com dinheiro proveniente da exportação de cocaína.

Outro dado identificado pelos investigadores é o registro de uma Land Rover e de uma Range Rover Sport, ano 2025, em nome de Solange, em junho daquele ano.

A influencer foi indiciada pela Polícia e denunciada pela Promotoria na Operação Vérnix por organização criminosa e lavagem de dinheiro para o líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o ‘Marcola’, via uma transportadora fantasma formalmente situada em Venceslau que teria movimentado R$ 327 milhões da facção.

Deolane nega relação com o PCC e afirma que “não é bandida”. Após a operação, Marcola declarou que não conhece a influenciadora e disse estar indignado com as alegações da Polícia Civil.

Além dos indiciamentos de Deolane, Marcola e outros cinco investigados, a Polícia Civil pediu novas medidas à Justiça, inclusive a ampliação de bloqueio de bens e o compartilhamento das informações da Operação Vérnix com a Polícia Federal, após a identificação de indícios de crimes tributários.

Ferrari, Porsche e Land Rover

Os relatórios de inteligência financeira também identificaram negociações envolvendo veículos de luxo de Deolane, entre eles uma Ferrari SF90 Stradale avaliada em R$ 4,4 milhões, um Porsche 911 Carrera de R$ 1 milhão e uma Land Rover Evoque de R$ 360 mil.

O cotejamento de dados revela que a compra da Ferrari envolveu a entrega de dois veículos usados e pagamentos realizados por empresas diferentes. Já a negociação da Land Rover incluiu uma entrada de R$ 45 mil em dinheiro vivo e a entrega de outro carro.

As apurações identificaram registros de outros veículos de alto padrão, incluindo modelos Land Rover Velar, Range Rover e RAM Rampage.

A advogada teria auferido bens de origem criminosa avaliados em R$ 27.002.774,72.O relatório aponta conexões financeiras e societárias entre quatro empresas: Bezerra Produções, Bezerra Publicidade, DB Santos e Deolane Bezerra Comércio.

A Bezerra Publicidade, que tem Deolane como sócia-administradora e capital social de R$ 100 mil, aparece em 81 comunicações de inteligência financeira. Em dez delas, figura como titular de operações que somam R$ 88,8 milhões em valores de referência, dos quais R$ 84,3 milhões estão associados a operações consideradas atípicas e R$ 4,5 milhões ao mercado de valores mobiliários.

Em agosto, a Polícia Civil apreendeu uma Lamborghini Urus Performante da influenciadora. A apreensão da Lamborghini ocorreu no Tatuapé, na zona leste da capital. Como mostrou o Estadão, o Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça que decrete a perda de bens de até R$ 65 milhões de Deolane, Marcola, e outros quatro réus na ação por lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os promotores da Operação Vérnix apontam que Deolane ocupa o topo do ranking de patrimônio ilícito.

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Estadão

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