Maioria no Fed vê novo aumento de juros como provável e apropriado até o fim do ano, mostra ata
A maioria dos dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) avaliou que um novo aumento da taxa básica de juros provavelmente será apropriado até o fim do ano, segundo a ata da reunião mais recente do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês). Todos os participantes apoiaram a alta de 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4,00%, decidida no encontro.
Segundo a ata, os dirigentes enfatizaram que a inflação permanece elevada, sem progresso suficiente em sua redução nos últimos meses, enquanto o mercado de trabalho segue próximo do pleno emprego e a atividade econômica avança em ritmo sólido.
Quase todos avaliaram que os riscos para a inflação estão inclinados para cima, ao passo que os riscos para o emprego diminuíram e estão agora amplamente equilibrados.
Muitos participantes defenderam uma trajetória mais alta para os juros como medida prudencial de gestão de riscos, diante da possibilidade de a inflação permanecer persistentemente acima da meta por demanda mais forte que o previsto ou novos choques de oferta. Alguns consideraram, porém, que juros maiores já eram necessários em seus cenários-base, e não apenas como proteção contra riscos.
A ata também mostra que vários dirigentes veem a taxa atual como “não restritiva ou apenas levemente restritiva”. Alguns alertaram que a alta dos preços de energia e o avanço dos investimentos ligados à inteligência artificial (IA) podem ampliar pressões inflacionárias.
O grupo avaliou que a expansão da IA tem impulsionado o investimento empresarial e surpreendido pela escala e velocidade, embora também possa elevar a produtividade e o produto potencial nos próximos anos.
No mercado de trabalho, os participantes consideraram as condições estáveis, com a maioria avaliando que houve algum fortalecimento recente.
Para a atividade, o Fed destacou investimento empresarial robusto e consumo resiliente, além de condições financeiras ainda favoráveis ao crescimento, apesar da recente alta dos rendimentos dos Treasuries.
Mesmo com a sinalização de novo aperto, os dirigentes ressaltaram que as próximas decisões continuarão dependentes dos dados, das perspectivas econômicas e do balanço de riscos.
Alta de juros dos Treasuries refletiu previsões para a política monetária e dados
Os membros do Federal Reserve indicaram que a recente alta nos rendimentos dos Treasuries está relacionada às expectativas de uma política monetária mais restritiva, conforme a ata.
“Os rendimentos nominais aumentaram cerca de 35 pontos-base em todo o segmento de 2 a 10 anos da curva de juros. Parte desse aumento refletiu a trajetória esperada mais elevada da política monetária e a força dos dados econômicos”, afirma um trecho do documento.
De acordo com os dirigentes, o movimento dos yields também foi influenciado por tensões geopolíticas e pela forte emissão de dívida privada para financiar o desenvolvimento de infraestrutura de IA.
Fed de NY interveio no mercado de câmbio em julho em nome do Tesouro dos EUA
A mesa de operações do Federal Reserve de Nova York, responsável pela gestão das reservas internacionais do banco central, interveio no mercado no final de julho em nome do Tesouro dos Estados Unidos para apoiar o iene, de acordo com a ata.
Segundo o documento, a intervenção, em conjunto com o Japão, contribuiu para “uma depreciação do dólar em relação a uma cesta de moedas de importantes parceiros comerciais”.
A ata ressalta que a atuação se deu estritamente como agente fiscal do Tesouro, sem envolvimento do portfólio de títulos do próprio Fed.
O documento também cita que o dólar foi depreciado em relação às moedas das principais economias estrangeiras devido à redução dos diferenciais de taxas de juros e a melhoria do crescimento externo.