Militares dos EUA afirmam ter abatido drone iraniano que se aproximou de porta-aviões
Um caça da Marinha dos Estados Unidos abateu um drone iraniano que se aproximava do porta-aviões USS Abraham Lincoln no Mar Arábico, informou o Comando Central dos EUA nesta terça-feira, 3, ameaçando aumentar as tensões enquanto o governo do Presidente norte-americano Donald Trump alerta para uma possível ação militar para forçar o Irã à mesa de negociações.
O drone “aproximou-se agressivamente” do porta-aviões com “intenções pouco claras” e “continuou a voar em direção ao navio, apesar das medidas de desescalada tomadas pelas forças americanas que operavam em águas internacionais”, disse o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central, em um comunicado.
O abate ocorreu com diferença de poucas horas para uma situação em que forças do Irã hostilizaram um navio mercante de bandeira e tripulação americanas que navegava no Estreito de Ormuz, informou o exército dos EUA.
O drone Shahed-139 foi abatido por um caça F-35C do porta-aviões Lincoln, que, segundo Hawkins, navegava a cerca de 800 quilômetros da costa sul do Irã. O comunicado militar informou que nenhum soldado americano ficou ferido e nenhum equipamento dos EUA foi danificado.
Horas depois, as forças da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã hostilizaram o navio mercante Stena Imperative, segundo informações dos militares.
A declaração de Hawkins aponta que duas embarcações e um drone iraniano Mohajer se aproximaram do Stena Imperative “em alta velocidade e ameaçaram abordar e apreender o petroleiro”. O destróier USS McFaul respondeu ao incidente e escoltou o Stena Imperative “com apoio aéreo defensivo da Força Aérea dos EUA”, afirmou o comunicado, acrescentando que o navio mercante agora navega em segurança.
As ações ocorrem em um momento de alta tensão entre os dois países. Essa tensão voltou a aumentar depois que o governo iraniano passou semanas reprimindo protestos que começaram no final de dezembro contra a crescente instabilidade econômica, antes de se transformarem em um desafio à República Islâmica.
No início de janeiro, Donald Trump prometeu “resgatar” os iranianos da repressão sangrenta do governo contra os manifestantes, promessa que posteriormente se transformou em uma campanha de pressão para que Teerã chegasse a um acordo sobre seu programa nuclear. Isso ocorre mesmo enquanto o presidente republicano insiste que as instalações nucleares iranianas foram “destruídas” em ataques americanos de junho.
“Estamos em negociações com o Irã. Vamos ver como tudo se desenrola”, disse Trump a repórteres no Salão Oval na segunda-feira, 2. Questionado sobre qual seria o seu limite para uma ação militar contra o Irã, ele se recusou a dar mais detalhes.
“Eu gostaria de ver um acordo negociado”, disse Trump. “Neste momento, estamos conversando com eles, estamos conversando com o Irã, e se conseguíssemos chegar a um acordo, seria ótimo. E, se não conseguirmos, provavelmente coisas ruins acontecerão.”
Os EUA abateram o drone horas depois de o presidente do Irã ter afirmado, na terça-feira, que instruiu o ministro das Relações Exteriores do país a “buscar negociações justas e equitativas” com os EUA, marcando um dos primeiros sinais claros de Teerã de que deseja tentar negociar com Washington, apesar do fracasso das conversas no verão passado.
A Turquia vinha trabalhando nos bastidores para que as negociações acontecessem ainda esta semana, enquanto o enviado dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, está viajando pela região. Um funcionário turco afirmou posteriormente que o local das negociações era incerto, mas que a Turquia estava pronta para apoiar o processo.
*Com informações da Associated Press.
*Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.

