Míssil atinge aeroporto de Riad, na Arábia Saudita, e deixa feridos

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O aeroporto de Riad, capital da Arábia Saudita, voltou a ser atacado neste sábado, 10, e foi evacuado, segundo duas autoridades da região. O novo ataque ocorreu dois dias depois da morte de três cidadãos sauditas, entre eles um piloto, em meio a uma série de ofensivas contra o país, que enfrenta uma nova frente de conflito na guerra envolvendo o Irã.

Um míssil atingiu um terminal de passageiros e deixou vários feridos, segundo uma das autoridades. As fontes falaram sob condição de anonimato por não terem autorização para dar declarações à imprensa. Ambulâncias foram vistas seguindo em direção ao aeroporto.

Voos com destino a Riad foram desviados para outros aeroportos, segundo a plataforma de monitoramento Flightradar24. Quase quatro horas haviam se passado desde o pouso do último avião, às 14h05, no horário local. A Kuwait Airways informou que estava cancelando voos devido ao fechamento do aeroporto. A embaixada do Canadá recomendou que seus cidadãos evitassem qualquer deslocamento ao local, citando “atividades militares em andamento”.

O Aeroporto Internacional Rei Khalid foi alvo de vários ataques na última semana, desde que uma coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou uma grande ofensiva militar contra os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, no vizinho Iêmen. Os houthis reivindicaram a autoria dos ataques anteriores, incluindo um ocorrido na quarta-feira, que matou um cidadão sudanês.

Morador relata explosões em Riad

Até o momento, os houthis não haviam se manifestado sobre o ataque deste sábado. O Centro de Comunicação Internacional, órgão do governo saudita responsável pelo relacionamento com a imprensa estrangeira, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Ahmed Sayed, morador de Riad, disse à Associated Press que ouviu pelo menos duas fortes explosões que abalaram a capital.

O aeroporto divulgou um breve comunicado orientando os passageiros a verificar a situação de seus voos diretamente com as companhias aéreas antes de se dirigirem ao terminal. Pelo menos 225 voos haviam sido cancelados nas 24 horas anteriores, segundo a plataforma FlightAware.

Os combates no Iêmen entre os houthis e as forças do governo iemenita apoiadas pela Arábia Saudita se intensificaram. A coalizão liderada pelos sauditas tem fornecido apoio aéreo às tropas do governo na tentativa de reverter os recentes avanços dos rebeldes ao longo do Mar Vermelho.

Esses avanços ampliaram a capacidade dos houthis de monitorar o tráfego marítimo em uma rota considerada alternativa fundamental ao Estreito de Ormuz, onde o Irã vem atacando embarcações.

Embora os houthis tenham afirmado à AP e a outros veículos que estão atacando apenas embarcações sauditas, como parte de um bloqueio em resposta ao imposto contra eles, persistem as preocupações com a possibilidade de ataques mais amplos.

Anteriormente, os rebeldes atacaram outros navios após o início da guerra na Faixa de Gaza, alegando agir em solidariedade aos palestinos. Uma campanha de bombardeios dos Estados Unidos pôs fim àquela ofensiva.

Trump critica ataques, mas EUA não anunciam novo apoio militar

A Arábia Saudita tem buscado apoio dos Estados Unidos e de outros aliados diante dos ataques contra aeroportos, instalações militares e infraestrutura petrolífera do país.

Segundo autoridades, a assistência americana incluiu compartilhamento de informações de inteligência, identificação de alvos e planejamento da ofensiva militar mais recente.

Na sexta-feira (9), ao deixar a Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi questionado sobre os ataques ao aeroporto de Riad e respondeu aos jornalistas: “Isso não é bom” e “Não estou satisfeito”.

Até o momento, porém, não havia sinais de novo apoio militar americano em resposta aos ataques.

Os ministros das Relações Exteriores da Arábia Saudita e de Omã conversaram por telefone sobre a importância de “apoiar soluções diplomáticas para reduzir as tensões” na região, informou o governo saudita neste sábado.

Omã, localizado do outro lado do Estreito de Ormuz em relação ao Irã, já atuou como mediador em conflitos regionais.

Enquanto isso, as autoridades sauditas alertaram a população nesta semana de que filmar, publicar ou compartilhar informações sobre a interceptação de mísseis e drones, assim como sobre os locais atingidos, pode resultar em responsabilização judicial.

Companhias aéreas suspendem voos para a Arábia Saudita

Nesta semana, os houthis fizeram o que classificaram como um último alerta às companhias aéreas internacionais sobre as possíveis consequências de operar no espaço aéreo saudita, descrito pelo grupo como uma área de operações militares.

Air India, FlyDubai, Lufthansa Group e Pakistan International Airlines estão entre as empresas que suspenderam voos de e para Riad e outros aeroportos sauditas pelos próximos dias.

A Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação ampliou suas orientações sobre o espaço aéreo da Arábia Saudita, destacando a capacidade dos houthis de atingir alvos cada vez mais distantes dentro do território saudita, incluindo Riad, e a crescente concentração dos ataques contra a infraestrutura de aviação.

Segundo a agência, os ataques com mísseis e drones, assim como as operações para interceptá-los, aumentam o risco de aeronaves civis serem identificadas incorretamente como alvos militares.

No ataque de quinta-feira (8), a companhia aérea nacional saudita informou que uma de suas aeronaves foi danificada enquanto estava em solo, sem passageiros a bordo. (Victoria Eastwood, no Cairo; Cara Anna, em Jerusalém; e Sally Abou AlJoud, em Beirute)

PUBLICIDADE
Estadão

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo.