Mobilidade inteligente depende mais de integração do que de tecnologia, dizem especialistas

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Representantes da iniciativa privada e do setor de engenharia afirmam que a inovação deve integrar serviços, dados e infraestrutura para melhorar a vida cotidiana. É um conceito que vai além da tecnologia.

Esse foi um dos consensos do painel Mobilidade, Tecnologia e Cidades Inteligentes, no São Paulo Innovation Week, nesta sexta-feira, 15, na FAAP.

Para Felipe Carvalho, CEO da Comense Group, o conceito de cidade inteligente precisa ser pensado a partir da experiência do cidadão. “Cidades inteligentes têm de ser vistas sob a ótica dos clientes, considerando as diferentes perspectivas do cidadão.”

Carvalho destacou ainda a necessidade de modelos regulatórios mais flexíveis para acompanhar o ritmo da inovação. Um dos caminhos sugeridos são os chamados “sandboxes regulatórios”, ambientes experimentais em que empresas e poder público podem testar soluções.

Argumentação semelhante foi adotada por Camilo Adas, especialista em engenharia da mobilidade. “A curva de inovação cresce mais rapidamente do que a regulação.”

Como representante do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), Francielle Saviski trouxe a experiência de Curitiba como referência nacional em planejamento urbano.

A executiva destacou que a cidade desenvolveu um sistema de gestão urbana baseado em dados, chamado de “hipervisor urbano”, capaz de integrar informações de diferentes áreas da administração pública em tempo real. O sistema reúne desde monitoramento de câmeras até dados de trânsito e infraestrutura urbana.

Apesar do histórico de inovação no transporte coletivo – marcado pelas estações-tubo e pela integração entre terminais -, Saviski reconheceu que a conexão entre os diferentes modais ainda é um desafio. “O futuro da mobilidade não vai ser tecnologia ou infraestrutura, mas orquestrar deslocamentos”, afirmou.

Para Adas, a discussão sobre mobilidade precisa voltar a colocar o ser humano no centro das decisões urbanas. “São Paulo não foi projetada. Precisamos voltar para o ser humano”, finalizou.

O São Paulo Innovation Week, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, encerra sua programação no Pacaembu e na Faap nesta sexta-feira, 15, e segue para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) ao longo do fim de semana. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar).

Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.

PUBLICIDADE
Estadão

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo.