Monja Coen, Krenak e Gleiser refletem sobre a relação dos humanos com o planeta Terra

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Pensadores com origens e perspectivas distintas, a líder budista, Monja Coen, o líder indígena, Ailton Krenak, e o físico teórico Marcelo Gleiser encerraram o primeiro dia de plenárias do São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, com uma reflexão sobre o que é a realidade e como os seres humanos se relacionam com a vida e o planeta Terra.

Após Coen meditar com a plateia, Gleiser propôs uma discussão sobre o que chamou de “questão da não-dualidade”. Ele defendeu que não há uma separação entre o “eu” e o restante do mundo. “É sempre a perspectiva do eu olhando pro mundo. Não existe essa separação, é uma parede artificial”, declarou.

O físico afirmou ainda que a humanidade mapeou todo o sistema solar e não encontrou um planeta semelhante à Terra. “Nada no universo é mais importante e complexo do que nossa vida. A vida inteira na Terra é interligada. Toda vida que existe vem de um ancestral comum, uma bactéria que existiu há bilhões de anos”, acrescentou Gleiser.

Em uma linha similar, Monja Coen relatou a experiência de Sidarta Gautama, o Buda, que após meditar embaixo de uma árvore por sete dias e sete noites sobre todas as questões humanas, disse ao no final: “Eu, a grande Terra e todos os seres, juntos nos tornamos o caminho, somos o caminho”.

“A nossa vida humana interdepende de outras formas de vida. Nós só existimos por causa das relações íntimas de tudo que é, foi e será. […] Todos nós somos descendentes de povos originários. Eu não vim de outro planeta, minha família também não. Há muitos anos nossos ancestrais estavam nas matas”, refletiu ela.

Krenak destacou que nas últimas quatro décadas a humanidade despertou para o entendimento de que a Terra é finita. “Nossos antepassados não sabiam disso. Eles pensavam que a Terra é esse organismo fantástico, que nós poderíamos vir, passar, ir embora, continuar, continuar, e a Terra estaria aqui”, contou.

Ele criticou a exploração dos recursos naturais e disse que eles são finitos, mesmo que consumidos com parcimônia. “Eu acho que a expressão ‘terras raras’ poderia ser pensada como a própria parábola da fúria que nós humanos carregamos, de estarmos sempre nos apropriando de mais um pedacinho da Terra. Aquilo que não tinha preço de ouro, diamante, começa a ganhar de uma hora pra outra muito valor”, disse o pensador indígena.

Krenak se referiu à recente corrida por minerais críticos – a Câmara dos Deputados aprovou na semana passada a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Ao todo, são 17 elementos utilizados para a produção de componentes elétricos como os de telefones celulares, telas de televisão e ímãs permanentes para turbinas eólicas, entre outros.

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

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Estadão

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