Na contramão do exterior, dólar caia a R$ 5,22 com fluxo estrangeiro

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Após três pregões consecutivos de alta, o dólar recuou nesta quinta-feira, 19, na contramão da onda de valorização da moeda americana no exterior com o aumento das tensões geopolíticas. Operadores afirmam que o real pode ter sido impulsionado por entrada de fluxo estrangeiro para bolsa e renda fixa domésticas, além de ajustes técnicos e aumento da liquidez após o pregão reduzido da Quarta-feira de Cinzas, na volta do feriado de Carnaval.

A moeda brasileira foi destaque entre as poucas divisas emergentes e de países exportadores de commodities que ganharam terreno em relação ao dólar – grupo que contou com o dólar australiano, o dólar neozelandês, a rupia indiana e o baht tailandês. O peso argentino também se apreciou, com ganhos até superiores ao do real, mas é visto como menos relevante no mercado global de moedas.

Afora uma alta pontual no início dos negócios, quando tocou R$ 5,25 na máxima do dia, o dólar à vista operou em queda no restante da sessão. Com mínima a R$ 5,2153, encerrou o dia em baixa de 0,26%, a R$ 5,2271. As perdas em fevereiro são de 0,39%, após recuo de 4,40% em janeiro – maior queda mensal desde junho de 2025 (4,99%). No ano, a desvalorização é de 4,77%.

“O real se comportou muito bem hoje, assim com a bolsa, que subiu bastante. A percepção é que o fluxo para os ativos locais continua, o que dá sustentação para a nossa moeda”, afirma o diretor da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt.

Operadores comentaram que a captação de US$ 4,5 bilhões realizada pelo Tesouro Nacional na semana passada com colocação de títulos de 10 e 20 anos seria liquidada hoje, o que pode ter turbinado a oferta de dólares no mercado local. A liquidez no mercado futuro foi robusta, com giro acima de US$ 16 bilhões com o contrato mais líquido, com vencimento em março, o que sugere a possibilidade de mudanças relevantes no posicionamento dos investidores.

O head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, ressalta o resultado acima do esperado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de dezembro e 2025 – o que, em sua opinião, alimenta expectativas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) será muito cauteloso no ciclo de cortes de juros a ser iniciado em março.

“Essa percepção de cautela do BC estimula o carry trade e ajuda o real”, afirma Chiumento, acrescentando que o investidor estrangeiro está “bem confortável” com o risco-Brasil, apesar da fragilidade dos fundamentos fiscais e das incertezas eleitorais. “Há problemas geopolíticos no mundo, e estamos de certa forma isolados, embora possa haver impactos do lado das commodities. Por ora, há uma benevolência do investidor estrangeiro com o Brasil”.

O IBC-Br caiu 0,18% em dezembro em relação a novembro, na série com ajuste sazonal. Trata-se de recuo bem menor do que previa a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava baixa de 0,40%. Em 2025, o índice avançou 2,45%, pouco acima das expectativas (2,40%). A avaliação é de que há um processo de acomodação da atividade que justifica a redução da taxa de juros, embora não autorize um ainda um afrouxamento monetário mais intenso.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY subiu hoje e chegou a tocar pontualmente o nível dos 98,000 pontos, acumulando alta de cerca de 1% na semana. Os preços do petróleo avançaram mais de 2% diante do acirramento das tensões entre Irã e Estados Unidos. O presidente Donald Trump disse que há “boas conversas” com os iranianos, mas alertou que “sem um acordo significativo, coisas ruins acontecerão”.

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Estadão

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