‘O cuidado não será substituído por qualquer tecnologia’, diz Lício Cintra no SPIW
Diante das inúmeras mudanças que o avanço da tecnologia tem proporcionado à área da saúde, em especial no que se refere à jornada de atendimento aos pacientes, o toque humano não é algo substituível. A visão é defendida pelo CEO da Redes Américas, Lício Cintra, no São Paulo Innovation Week, em um painel que discutiu a incorporação da tecnologia na saúde sem a perda da humanização nesta quarta-feira, 13.
“A gente acredita que o toque e o olho no olho fazem parte de um bom atendimento ao paciente. O cuidado não será substituído por qualquer tecnologia”, diz Cintra.
Para ele, a questão central é como o ganho de produtividade, trazido por automatizações de processos, podem abrir espaço para que haja mais tempo para profissionais da saúde focarem na interação com os pacientes.
Para ilustrar essa ideia, ele relembra o modelo de atendimento que vigorou no início dos anos 2000, que descreveu como marcado por desperdício de recursos e processos. Porém, defende, a tecnologia em si não pode ser o único fim. Quando isso acontece há “maior precisão no tempo de execução, mas um afastamento brutal do médico”.
A moderação do painel Humanização em Escala: Tecnologia, Experiência e o Novo Paciente foi feita pelo médico José Maria, que é pediatra com PhD em Fisiologia Respiratória pela Universidade de Toronto e presta consultorias em saúde.
Ao longo do painel, outros participantes reforçaram que o avanço tecnológico só faz sentido quando está a serviço do cuidado e da experiência do paciente.
Eduardo Cordioli, diretor do Grupo Santa Joana, citou o projeto Madrinha Joana IA, criado para apoiar pacientes da maternidade. Com o uso de inteligência artificial generativa, o sistema passou de cerca de 3,5 mil para mais de 80 mil interações mensais, mantendo as equipes humanas envolvidas no processo.
Já Paulo Nigro, sócio da In Connection, mencionou iniciativas desenvolvidas no Hospital Sírio-Libanês para reduzir o tempo gasto pelos médicos com processos burocráticos a fim de otimizar a integração de informações clínicas. O objetivo, segundo ele, foi devolver tempo de qualidade para a interação entre médicos e pacientes, além de usar dados para tornar o atendimento mais eficiente desde a atenção primária.
Uso de IA pelos médicos
O debate também abordou os riscos do uso indiscriminado de IA na tomada de decisão médica. Os participantes defenderam que as ferramentas devem funcionar como apoio ao raciocínio clínico, e não como substitutas do pensamento crítico dos profissionais.
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta,15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

