O que é ‘Instrumento Anticoerção’, arma comercial da UE contra ameaças de Trump por Groenlândia
A União Europeia estuda ativar um mecanismo chamado “Instrumento Anticoerção” para responder às ameaças de tarifaço feitas pelo presidente americano, Donald Trump, a países que se opõem à anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos.
A possível aplicação do instrumento de defesa comercial foi tema da reunião de emergência realizada neste domingo, 18, com embaixadores de 27 países da UE, de acordo com informações do jornal francês LesEchos.
A ferramenta foi criada em 2023 para defender países da União Europeia de situações de “coerção econômica” e prevê medidas de retaliação, como adoção de tarifas de importação, limitação de atuação de empresas estrangeiras na prestação de serviços na região e restrições ligadas a patentes.
No caso dos EUA, poderiam ser aplicadas, por exemplo, tarifas extras sobre produtos americanos e restrições à atuação de companhias americanas em setores específicos do mercado europeu.
Segundo o Financial Times, o pacote tarifário europeu pode chegar a € 93 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) em retaliações a Trump.
Groenlândia na mira dos EUA
Os líderes europeus estudam formas de responder às provocações de Trump em relação à Groenlândia, um território autônomo que pertence ao Reino da Dinamarca.
Após o avanço sobre a Venezuela, no início do ano, o republicano passou a sinalizar o desejo de também anexar a ilha aos Estados Unidos. Em uma declaração conjunta publicada no dia 9 de janeiro, partidos políticos da Groenlândia se posicionaram contra a anexação, dizendo que não querem “ser americanos”.
Agora, os países da UE tentam fortalecer a região contra a expansão territorial dos EUA. Alemanha, França e Dinamarca foram alguns dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que enviaram tropas militares à Groenlândia na semana passada.
Em reação, o presidente americano anunciou, no sábado, 17, a imposição de tarifas de 10% sobre esses países, com possibilidade de chegar a 25%.
Caso seja aplicado contra os Estados Unidos, o instrumento de defesa comercial da União Europeia será acionado pela primeira vez.

