OMS alerta: ‘chuva negra’ após ataques a refinarias podem causar problemas respiratórios no Irã

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou na terça-feira, 10, que a “chuva negra” que caiu no Irã após ataques a instalações petrolíferas pode causar OMS alerta que ‘chuva negra’ após ataques a refinarias pode causar problemas respiratórios no Irã. A agência apoiou a recomendação da República Islâmica para que as pessoas permaneçam em casa.

Os ataques a refinarias ocorreram no último domingo, 8, e a agência segue monitorando os riscos à saúde decorrentes da “liberação maciça” de hidrocarbonetos tóxicos, óxidos de enxofre e compostos de nitrogênio na atmosfera. Esses compostos podem causar problemas respiratórios se inalados.

Durante declaração à imprensa em Genebra, na Suíça, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, afirmou que a chuva que cai em Teerã após os ataques “representa, de fato, um perigo para os iranianos”.

“Estamos em contato com os hospitais e com as autoridades iranianas, que emitiram um alerta aconselhando as pessoas a permanecerem em suas casas, em vista dos ataques a depósitos de petróleo, em especial”, disse ele.

Novos ataques iranianos contra infraestruturas petrolíferas no Bahrein e na Arábia Saudita também aumentaram as preocupações com uma “exposição regional mais ampla à poluição”, disse Lindmeier, destacando os efeitos a longo prazo dos poluentes, que afetam a saúde respiratória e contaminam a água.

Sistemas de saúde atacados

No 12º dia da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, os sistemas de saúde no Oriente Médio “estão sendo atacados” e o número de feridos e deslocados cresce, informou a OMS.

Ao todo, 34 profissionais de saúde foram mortos desde o dia 28 de fevereiro. No Irã, a OMS verificou 18 ataques a serviços de saúde, o que resultou em 8 mortes de profissionais do setor. Durante o mesmo período no Líbano, 25 ataques a serviços de saúde resultaram em 16 mortes e 29 feridos.

A OMS afirma que esses ataques custam vidas e privam as comunidades de cuidados quando mais precisam. Para a agência, os profissionais de saúde, pacientes e instalações de saúde “devem ser sempre protegidos pelo direito internacional humanitário”.

Até o momento, as autoridades nacionais de saúde do Irã relatam mais de 1.300 mortes e 9 mil feridos durante o conflito, enquanto no Líbano são relatados pelo menos 570 mortes e mais de 1.400 feridos. Em Israel, as autoridades reportaram 15 mortes e 2.142 feridos até a manhã desta quarta-feira, 11.

Além do impacto imediato, o conflito está criando riscos mais amplos para a saúde pública. Estimativas atuais indicam que mais de 100 mil pessoas no Irã se deslocaram para outras áreas do país devido à insegurança, e até 700 mil pessoas foram deslocadas internamente no Líbano, muitas em abrigos coletivos superlotados, sob condições precárias de saúde pública e com acesso limitado a água potável, saneamento básico e higiene.

Essas condições aumentam o risco de infecções respiratórias, doenças diarreicas e outras doenças transmissíveis, especialmente para as populações mais vulneráveis, como mulheres e crianças, alerta a OMS.

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Estadão

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