Orgia, abuso sexual de adolescente e maus-tratos: os escândalos envolvendo o ex-príncipe Andrew
A prisão do ex-príncipe da monarquia britânica Andrew Mountbatten-Windsor, no dia em que ele completa 66 anos, por suspeita de má conduta em cargo público em uma investigação relacionada ao caso Epstein, soma-se a uma longa lista de escândalos nos quais ele já se envolveu.
A maior parte das polêmicas associadas a Andrew tem um nome em comum: Jeffrey Epstein. O financista manteve relações próximas com diversas celebridades nos anos 1990 e 2000 – entre elas, o ex-príncipe, filho da falecida rainha Elizabeth II e irmão mais novo do rei Charles III.
Epstein foi condenado por facilitação da prostituição de menores de idade em 2008 e cumpriu 13 meses de prisão. Após deixar a cadeia, o financista foi fotografado ao lado de Andrew no Central Park, em Nova York, em 2010. As imagens, no entanto, só vieram a público no ano seguinte.
Na época, Andrew ocupava o cargo de Representante Especial do Reino Unido para o Comércio Internacional. Após a repercussão das fotos, ele pediu desculpas e afirmou ter encerrado a amizade com Epstein, mas foi obrigado a renunciar.
Os dois voltaram a ser associados em 2019, após a morte do financista, que tirou a própria vida na prisão enquanto aguardava novo julgamento por acusações de crimes sexuais. Em entrevista à emissora pública BBC, Andrew defendeu a relação com o americano e afirmou que “ainda não se arrependia” da amizade, porque “conhecer Epstein teve alguns resultados muito benéficos”.
A declaração repercutiu negativamente no Reino Unido e no exterior, e o Palácio de Buckingham voltou a ser questionado pela imprensa sobre o quanto Andrew sabia a respeito dos crimes cometidos por Epstein. Como consequência, o ex-príncipe afastou-se de todos os deveres reais e deixou de participar de eventos públicos da monarquia britânica em novembro de 2019.
Ainda naquele ano, a advogada Virginia Giuffre, uma das principais testemunhas de acusação do caso Epstein, afirmou que amigos do financista também abusavam sexualmente de menores de idade. Em um dos processos, ela afirmou ter mantido relações sexuais com Andrew em três ocasiões, uma delas na mansão de Epstein, em Nova York, quando ainda era adolescente.
Em seu livro de memórias póstumas, lançado em outubro do ano passado, meses após sua morte, Virginia detalhou outro episódio. Segundo ela, Andrew, Epstein e “outras oito jovens” teriam participado de uma orgia. A advogada afirmou ainda que, após a divulgação das acusações, o ex-príncipe tentou desacreditá-la e prejudicar sua imagem.
Andrew sempre negou as acusações, mas fechou um acordo judicial com Virginia em 2022, o que impediu que o caso fosse a julgamento com júri. À época, o tabloide Daily Mirror informou que o valor da conciliação foi de 10 milhões de libras (cerca de R$ 70,22 milhões na cotação atual). Um mês antes do acordo, Elizabeth II já havia retirado todos os cargos honorários do filho, proibindo-o de usar o tratamento de “Sua Alteza Real”.
Paralelamente às controvérsias ligadas ao caso Epstein, Andrew também se envolveu em denúncias de maus-tratos a funcionários. O ex-oficial Paul Page, que trabalhou no Royal Protection Group – unidade especializada da polícia britânica responsável pela segurança da família real -, afirmou no documentário Príncipe Andrew: Banido, lançado em 2022, que o ex-príncipe destratava funcionários da realeza. “Ele é simplesmente uma pessoa horrível. Faz bullying com os funcionários”, disse.
Page relatou ainda um episódio de assédio moral contra um segurança que teria impedido a entrada de uma convidada de Andrew em uma residência oficial. “Ele gritou com toda a sua voz: ‘Ouça-me, seu gordo, babaca. Se você não deixar minha convidada entrar, eu vou descer até aí'”, contou.
Após a divulgação de trechos do livro de Virginia, em outubro do ano passado, a pressão sobre Andrew se intensificou. No dia 17 daquele mês, ele anunciou que renunciaria ao título real – decisão oficializada dias depois pelo Palácio de Buckingham.
Com a perda do título de príncipe e de todas as honrarias da monarquia britânica, Andrew também teve de deixar a Royal Lodge, residência mantida pela Coroa. No início deste mês, ele se mudou para a propriedade particular de Sandringham House, no condado de Norfolk.
Após a prisão nesta quinta-feira, 19, endereços em Norfolk e em Berkshire foram alvos de buscas e apreensões. Segundo a BBC, viaturas descaracterizadas foram vistas na Sandringham House durante a manhã.
Andrew é investigado pela Polícia do Vale do Tâmisa após uma denúncia sobre o suposto compartilhamento de material confidencial com Epstein. Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram que, em 2010, o ex-príncipe enviou e-mails ao financista sobre oportunidades de negócios. O caso também é investigado pelo Crown Prosecution Service, órgão equivalente ao Ministério Público no país.

