Para FMI, aperto de condições financeiras pode criar ambiente mais difícil para emergentes

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A diretora de Comunicações do Fundo Monetário Internacional (FMI), Julie Kozack, alertou para o risco de um ambiente mais difícil para as economias emergentes, o que inclui o Brasil, diante dos impactos financeiros da guerra no Oriente Médio. Por ora, a situação é “fluida” e “incerta”, classificou.

“Condições financeiras globais mais apertadas têm o potencial de tornar ou criar um ambiente mais difícil para todas as economias emergentes e até mesmo para algumas economias avançadas”, avaliou Kozack, em conversa com jornalistas, nesta quinta-feira, 19.

De acordo com ela, os mercados globais reagiram aos conflitos com aumento da volatilidade, mas o impacto nas condições financeiras mundiais vai depender da duração e intensidade da guerra que tem os EUA e Israel de um lado e o Irã do outro. O conflito está em sua terceira semana.

“Os preços das ações globais caíram. Os rendimentos dos títulos aumentaram em vários países, incluindo em economias avançadas como os EUA, o Reino Unido e a Europa, mas também em países emergentes e em desenvolvimento”, listou Kozack. “O quadro agora, e os canais, o impacto geral, é claro, vão depender muito da duração e intensidade do conflito”, afirmou.

Argentina

Segundo Kozack, a Argentina enfrentou o choque “relativamente bem” a despeito de um “ambiente global mais desafiador”. “O progresso está continuando em algumas frentes-chave, o engajamento entre a equipe do FMI e as autoridades (da Argentina) é muito próximo e o progresso e as negociações estão avançando”, disse ela.

A grande diferença na forma como a Argentina lida com o recente choque é o fato de enfrentá-lo na posição de um país exportador líquido de energia, evidenciou a porta-voz do FMI. “Em 2022, quando tivemos o último grande choque de preços de energia, a Argentina era um importador líquido de energia, e agora a Argentina é um exportador líquido de US$ 8 bilhões de dólares de petróleo e gás no ano passado”, avaliou.

O FMI espera melhorias ou avanços adicionais na Argentina pelo fato de o país ter se tornado um exportador líquido de energia no “médio prazo”.

Segundo ela, o Fundo vê o início de uma tendência para a Argentina que está proporcionando um “fator de mitigação significativo” para a economia doméstica.

“As reformas estão avançando em múltiplas frentes na Argentina para consolidar os ganhos de estabilização iniciais que vimos”, concluiu Kozack.

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Estadão

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